domingo, 22 de abril de 2007

Adiós, Chile!

De tanto comer moluscos ontem, acordo hoje com dor de barriga. Ainda bem que não é nada sério. Por via das dúvidas, meu almoço é um sandu vegetariano com abacate, tomate, queijo branco e palmito num enorme pão de forma, como costumam ser todos os lanches servidos no país. Como ainda me resta a manhã pra dar um último bordejo, tomo o rumo do cerro Santa Lucia, em frente ao lindo prédio da Biblioteca Nacional. Da colina, com 69 metros de altura, tem-se uma vista privilegiada sobre o vale do rio Mapocho, motivo pelo qual serviu de mirante aos espanhóis durante os séculos XVI e XVII nas suas freqüentes escaramuças contra os índios mapuches. Posteriormente, graças a Mackenna, prefeito de Santiago, no século XIX, a antiga fortificação militar virou atração turística com a construção de vias de acesso, pracinhas, mirantes, fontes e a recuperação do Fuerte Hidalgo, utilizado em eventos culturais, nos dias de hoje. Inicialmente, despido de vegetação, Mackenna ordenou o florestamento do lugar com o plantio de árvores, arbustos e flores transformando-o em um atraente passeio público.
Na entrada, há duas imponentes escadarias que conduzem ao Terraza Neptuno onde há uma linda fonte ao estilo Fontana di Trevi em frente a uma bela construção em estilo neoclássico. Novas escadarias levam a outro terraço, situado um nível acima. Vai-se então ascendendo até o topo do cerro de onde se avista a capital chilena num ângulo de 360º. Conheço, atendendo em um dos quiosques espalhados no interior do parque, a simpática arrendatária de um deles, e conversando com ela soube que, nos idos de 1.800, um dos canhões ali existentes era disparado em sincronia com o badalar dos sinos da catedral, situada um pouco mais além, na Plaza de Armas, informando, nessa peculiar maneira, aos santiaguinos a chegada do meio dia. O sistema, explica ela, funcionava postando-se um soldado, no cocuruto do cerro, agitando uma bandeira branca ou vermelha, visível assim por quem era responsável pelo sino da catedral, que, então, iniciaria a badalá-lo. Conta-me, ainda, que a avenida Bernard O’Higgins, mais conhecida como Alameda, já fora um braço do rio Mapocho, posteriormente aterrado. O cerro situava-se, portanto, entre os dois braços deste rio. Saio de Santa Lucia e entro em uma das muitas cafeterias existentes na cidade. O café, bebe-se ao pé do balcão, em formato circular. Serve a bebida uma moça cujo curtésimo vestido de colante malha cor de limão revela formas opulentas. Suas grossas pernas equilibram-se sobre sapatos de altíssimas plataformas. Os homens, atentos ao ir e vir da rapariga, bebericam, sem pressa, seus cafés saboreando o suculento espetáculo da carne jovem. Deve ser uma jogada de marketing pra atrair a clientela masculina, hehehe. O Paseo Ahumada, como sempre, está cheio de grupos de artistas apresentando seus shows. A temperatura amena de ontem cede lugar ao friozinho outonal. Santiago está decididamente se despedindo do verão, e eu da cidade. Hasta la vista Chile!

2 comentários:

jota-ce-be-eme disse...

Me encantó tu blog!!

jota-ce-be-eme disse...

Me encantó tu blog!!