sexta-feira, 13 de abril de 2007

Retorno a Puerto Natales

Permaneço no refúgio enquanto observo do amplo janelão da sala de convivência do primeiro piso a chegada do elegante catamaran que nos conduzirá a puerto Pudeto situado no outro lado do Lago Pehoe. Quando ele aponta, espero que atraque no cais e então pra lá me dirijo sem pressa. Fico na coberta da embarcação durante a travessia de 30 minutos, admirando um novo ângulo dos Cerros Paine Grande, Bariloche, Almirante Nieto e Cuernos, bem como dos Cerros Ferrier e Donoso, que enfeitam a magnífica paisagem deste santuário natural, o Parque Nacional Torres del Paine. O sol, finalmente, aparece e brilha sobre o lago e cerros adjacentes. É sempre assim, quando a gente vai embora, o bom tempo retorna...que droga! Em Pudeto, ônibus e vans esperam os turistas para levá-los a Puerto Natales; no caminho até a Laguna Amarga onde mais turistas embarcarão, vejo guanacos correndo pelas estepes e águias voando em bando. A paisagem cuja vegetação passa de matorrales à pampa seria monótona se não fosse continuamente marcada por cerros cobertos de neve, lembrando bolos polvilhados com açúcar de confeiteiro. Chego em Puerto Natales às 16:30, vou pro Florence Dixie, o confortável hotel onde havia me hospedado e deixado minha mala antes de ir pro Parque. Tomo um banho e mesmo cansada depois do trekking em que percorri 110 km, vou jantar no restaurante Última Esperanza e não me arrependo. Escolho ostiones com aji e alho (cada pedaço redondo deste moluco equivale a uma concha e são servidos numa cumbuca de cerâmica) - um caldo de carnudas ostras temperado com aji e rodelas de alho tostado.O prato principal, frio, compõe-se de uma mistura de locos e centollas com salsa de maionese. Locos é um outro tipo de molusco, encapsulado numa concha rugosa em formato de caracol. De cor branca, sua textura lembra carne de fígado, porém mais dura e menos fibrosa, embora exija uma enérgica mastigação. Já a centoja com sua carne rósea e levemente adocicada faz um contraponto suave ao molusco loco. O vinho? Bem....retorno, satisfeita, ao sauvignon blanc - um Santa Emiliana -, já havia me fartado, depois de 6 dias, nos refúgios, de bebericar tintos. Sei lá por que meu paladar, nesta viagem, clama por algo mais leve. Bem alimentada, até demais, chego no hotel e vejo marcado no termômetro 2ºC, isso que recém iniciara o outono...o que não será no inverno então?! Ciente das duras condições climáticas dessa estação, mesmo assim lastimo não poder ficar mais tempo pra poder curtir o visual da paisagem durante o inverno. Mesmo gostando nadica de frio nem me importaria de passar frio tão lindo é tudo aqui.

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