sábado, 21 de abril de 2007

Sábado em Santiago

Bem capaz que ia ficar sem máquina. Não comprei uma ontem quando voltei de Valparaíso porque o comércio aqui em Santiago já se encontrava fechado. Hoje, entretanto, entro numa loja no paseo Ahumada e lá permaneço uma hora pesquisando sobre os tipos de digitais à venda enquanto bato papo sem pressa alguma com o vendedor, um jovem super atencioso. Acabo, enfim, me decidindo por uma cheia de recursinhos, vindo de brinde um cartão de 1 gb! custando-me tão somente 400 reais. Com ela vou, toda pimpona, ao mercado. Que lugar! Uma enorme construção quadrada de alvenaria, coberta por uma cúpula metálica com vitrais na parte superior de modo a permitir o vazamento de luz. Na parte interna, corredores onde se dispõem bancas de pescados e frutos do mar, enquanto em outros, dezenas de restaurantes grudam-se uns aos outros. Nas peixarias, a oferta de molucos é de uma diversidade estonteante: almejas (pequena concha ovalada cinzenta), picorocos (concha áspera com três compartimentos cilíndricos onde se vê apontando a cabeça do bicharoco ainda vivo), ouriços, cuja tampa de cor escura e coberta de espinhos é cortada, retirando-se de seu interior a carne de coloração vermelho-clara, machas, ostiones, negro (um pescado lindo com listras escuras), reinetas, salmão, corvina, merluza, congrio, camarão....ufa! No centro do edifíco, concentram-se outros restaurantes, estes freqüentados preferencialmente por turistas (são mais ajeitadinhos ao passo que os da periferia, bem simples, são mais procurados pelos santiaguinos). Vendedores, apregoando seus produtos, passam carregando nas costas enormes pencas de ajis verdes e vermelhos. Trios musicais desfilam nos corredores tocando violão e cantando músicas típicas enquanto aproveitam e vendem seus cd's para os comensais. Realmente pitoresco, o lugar surpreende e encanta. Tento compará-lo com o de Montevideo, mas desisto, é outro estilo, muito mais popular, uma babel! O mercado uruguaio é mais sofisticado, além de seus freqüentadores pertencerem majoritariamente à classe média. Almoço duas vezes. Sento, primeiro, num restaurantezinho situado numa das esquinas e lá almoço machas al pil pil (fiquei fã deste prato desde que o provei em Puerto Natales). Dou uma banda, curtindo o lugar e sento em outro restaurante onde peço almejas al maico e meia garrafa de de vinho branco. Nem consigo terminar a comida, deixo metade no prato....também, pudera! Saio do mercado e atravesso a Plaza de Armas, pois o que me prende a atenção é a calle Compañia, logo em frente, adornada com arcos, onde se encontram, de um lado bancas de fast food chilena - vendem entre outros lanches, colossais hot dogs e os populares chacareros, quem vêm a ser exóticos baurus recheados com vagens, rodelas grossas de tomates e quatro fatias finas de carne caindo pra fora do pão -, e do outro, em frente às bancas, restaurantes cujas comidas, expostas nas vitrines, exibem seus preços em etiquetas afixadas nos pratos. Não resisto àquele festival de baixa gastronomia e filmo enlouquecidamente aquela exuberância culinária! Já no paseo Ahumada, sou quase vítima de novos assaltos. Movida por uma má sensação, viro-me enquanto aguardo pra atravessar a rua e vejo um jovem começando a mexer na mochila que carrego nas costas. Grito com ele que, se fazendo de desentendido, sai de fininho me olhando com olhos injetados e inexpressivos. Mais adiante, ainda no mesmo paseo Ahumada, vejo outro jovem, acercando-se de mim na tentiva de pegar minha câmera, porém eu, precavidamente, depois do que me acontecera em Valparaíso ontem, a enrolara firmemente em meu pulso. Encaro-o e disparo: "vete de aqui, lança, yo llamo los carabineros". Desta feita, são três os meliantes, um deles, inclusive, finge que vai tirar algo do bolso, numa tentativa pífia de intimidação. Não me acovardo e boto a boca no trombone outra vez. Um senhor, apiedado de mim, acompanha-me por um tempo, aproveitando pra se queixar dos "angustiados" como se chamam aqui os jovens que usam drogas. A essas alturas, eu já não sei se ele é um bom sujeito ou alguém da gangue. Trato de de ir pro hotel sem delongas. Cruz credo, prefiro o mato com cobras, lagartos e abelhas africanas me picando do que as ruas insanas destas selvas de pedra! Chama minha atenção a quantidade de jovens vestidos de dark, emo, punk ou sei lá o que mais inventam no visual pra parecerem diferentes. Mais adiante, sou espectadora de uma ceninha protagonizada por quatro jovens de uma dessas tribos esquisitas: duas mocinhas ajoelhadas diante da vitrine de uma loja de eletrodomésticos trocam beijos de língua. Levantam-se e o pequeno bando segue seu caminho dando risadinhas e lançando olhares desafiadores aos transeuntes. O showzinho de tão canhestro não consegue surtir o efeito chocante ou sacana desejado, ninguém dá bola....pobres tolinhos!
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Um comentário:

Dih_Daya disse...

Olá BEA,
Sou acadêmica de direito adivinha quem nos contribui com seu conhecimento nas aulas de penal? O Grande Eduardo :) ele comentou sobre o seu blog durante a aula, muito linda as suas fotos nossa seus relatos são impressionantes..adorei as fotos de Milodón...
Até Daiana Rovani