domingo, 15 de abril de 2007

Balada no sábado à noite


Acordo e o dia apresenta-se ensolarado embora a temperatura ainda esteja na casa dos 2ºC. Agora, 13 horas, nublou geral e a temperatura foi pra 8ºC. Vou almoçar no Angelica's, gostei do restaurante, é um lugar bem aconchegante com paredes metade alvenaria, metade  madeira, pintadas de amarelo-claro. Nas mesas, enfeitando-as, há vasos com astromélias brancas e rosadas. Consulto o menu e decido-me por um salmão com pimenta verde acompanhado de cogumelos frescos salteados; o vinho, branco. Os couverts nos restaurantes são tão gostosos, desde os mais simples, em que não falta o indefectível pebre para passar no pão, aos mais elaborados como o que é servido hoje no almoço: são duas bolachinhas com uma pasta de atum, presunto cru mais um punhadinho de batatas palhas bem fininhas. De sobremesa, creme brulée. Saio a passear pela cidade. Se Puerto Natales já é tranqüila em dia de semana, sábado é melhor ainda. Eu estou como o diabo gosta em meio a esta pasmaceira. Coisa boa cidade pequena! Cercada por cerros cobertos de neve, destaca-se no entorno de Puerto Natales, o Dorotea, único deles que permanece, a esta época do ano, virgem de neve. Passeio pela Costanera, ampla avenida situada às margens do Seño Última Esperanza. Natales pertence à XII província, também conhecida como Última Esperanza. Victor, conforme o combinado (eu o convidara no dia anterior, quando chegara na cidade para um happy hour), vem me buscar, pontualmente, no hotel às 18 horas. Escolho o bar do Índigo, hotel cuja decoração sofisticada é propositadamente clean. Dos amplos janelões de vidro descortina-se o Seño e os cerros Prat e Balmaceda ao longe. Bebemos vinho, branco, por supuesto, e petiscamos alguma coisa. De lá, Viti leva-me ao Ruperto, um bar cujo dono é um simpático inglês, casado com uma chilena, que se aquerenciou em definitivo por estas plagas. Está rolando uma festa de despedida da temporada de turismo que finda oficialmente hoje. O lugar, apinhado de gente, congrega guias e empregados dos hostales, hotéis e pousadas da região. Anima a noite uma banda que toca rock, reggae e outros ritmos. Danço até me acabar, a noite muiiiito agradável se estende até 3 da madruga. Viti e eu, animadíssimos, consumimos mais 2 garrafas de vinho!
Hoje, domingo, acordo tarde, o único compromisso é massagem e banho de ofurô na Mandala Andina. Chove e está frio. Confesso: sinto um pouco de dor de cabeça. Ah, estes embalos de sábado à noite....tsktsktsk! Tomo banho e vou ao spa. O ofurô, enorme, está dentro de uma enorme tenda de plástico onde fico imersa na água quentinha por meia hora. De lá, saio pra ser massageada durante outra meia hora por uma silenciosa mulher que me sova energicamente. Fico papeando um pouco com as duas simpáticas jovens que são donas do estabelecimento. Contam-me que, cansadas da confusão da capital, vieram em busca de uma melhor qualidade de vida, afora a perspectiva de ganharem dinheiro com seu negócio durante a temporada de turismo. Mesmo sem fazer nada, o tempo passa voando. Apesar do adiantado da hora - 6 da tarde - estou, agora, almoçando, ou melhor dizendo, jantando, novamente, no Marítimo. Os pratos escolhidos são bem levinhos. Consiste a entrada em abacate com ostiones mais alface cortada em tirinhas (o abacate daqui é bem delicado, do tamanho de uma pera média e o sabor mais suave), a seguir, uma massa com salmão defumado. Dessa feita, resolvo comer sobremesa, estou curiosa para saborear o sorvete de calafate e ruibarbo. Em ambas as frutas, detecto um sabor suave, nada parecido com algo que eu já tenha provado. Da janela do restaurante fico curtindo a chuva picando as águas do Seño Última Esperanza. Dois homens conduzindo seus caiaques aproximam-se do molhe situado mais além. Cisnes e gansos selvagens nadam perto da margem, um nevoeiro impede a visão dos cerros Prat e Balmaceda. Bate uma ponta de melancolia, também pudera, com um tempo destes não há muito com o que se animar... fazer o quê, não é mesmo? Antes de me recolher ao confortável quarto do hotel, passo na loja de Rodrigo. Bebemos um nescafé e batemos um papinho. Ele, todo entusiasmado, conta que está comprando um carro. Assim - explica-me -, pode viajar e vender sua mercadoria em outras cidades, como Bariloche e Las Leñas, cuja temporada turística tem início com a chegada do inverno. "Acá no quedome más, por ahora acabó en nesta ciudad lo turismo, vuelvo solamente en octubre", desabafa. Escuto mais um pouco seus planos porém o cansaço começa a bater. Despeço-me desejando-lhe boa sorte, esta é minha última noite em Natales. Amanhã, estou indo a Punta Arenas onde pretendo permanecer até quinta-feira.

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