quinta-feira, 19 de abril de 2007

Empanada con guiso de carne

Acordo e o que vejo? Um alvorecer prometedor, um solzinho tíbio, o azul apontando, tímido, num céu, ainda, bem nublado. Fico chateada, afinal, justo no dia em que saio de Punta Arenas, o tempo começa a melhorar....enfim, cavacos do ofício de quem é turista. Aproveito que me resta um par de horas na cidade e vou até a beira do Pacífico distante 3 quadras de meu hostal, na esperança de, quem sabe, avistar a Tierra del Fuego. Desta vez consigo, não dá pra distinguir perfeitamente porém me contento com o que vejo! Faz frio, sinto minhas orelhas picando com a baixa temperatura e abandono a prainha onde a água verde deposita restos de algas na areia de cor escura. Volto pela linda avenida Cristobal Colon dirigindo-me ao restaurante onde almoçara no dia anterior, porque sei que hoje servem empanadas al horno. A dona, uma simpática chilena de grandes olhos azuis, me informara, ontem, que os dias de empanada são terça, quinta e sábado. Já me sinto "da casa" quando entro e sou prontamente reconhecida. Eu que normalmente gosto de saber o nome das pessoas, esqueço de perguntar não só o nome dela como o do restaurante, tudo por causa da maldita ansiedade que as viagens me provocam. Sento-me num banquinho junto ao balcão. O quitute, recém saído do forno, é colocado a minha frente. Despreende-se dele uma nuvenzinha de fumaça e o cheirinho de carne e massa é assaz apetitoso.
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Mal espero que esfrie (depois fico me odiando pela voracidade quando sinto o céu da boca queimado) e vou logo mordendo sem muita cautela. Está muito bom: recheado com guiso de carne (carne picada) é preparado pela mãe da proprietária. Não resisto e peço uma tacinha de vinho tinto, "un poquito, señora, muy poco, estoy apurada". Lastimo tê-lo descoberto justo na véspera de deixar a cidade. Embora simples, é deveras acolhedor. Daqueles lugares bem familiares, onde os fregueses são habituées e conhecem-se uns aos outros de há muito. Entram ali para beber ou comer algo, trocar um dedo de prosa (política ou futebol) com os velhos conhecidos enquanto a dona, solícita, atende seus pedidos, mostrando ser uma boa e atenta ouvinte, palpitando, com delicadeza, vez por outra na conversa. Despeço-me da querida senhora e apressada aproveito ainda a meia hora restante dirigindo-me até a Plaza de Armas. Ontem não houvera condições de ficar muito tempo devido à chuva, daí porque regresso, quero filmar não só o Palácio Sara Braun como a bela residência ao lado, transformada no Club Militar de Oficiales.E tudo passa tão rápido, logo estou a caminho do aeroporto quando então embarco de volta a Santiago. Já em Santiago, hospedo-me no Gran Palace, ocupando os 8º, 9º e 10º andares de um prédio, misto de residencial e comercial. Localizado no paseo Huerfanos, fica perto de La Moneda, da Plaza de Armas, do Mercado, do cerro Santa Lucia, enfim, ao alcance de vários lugares interessantes de se visitar. A extensa avenida Bernard O'Higgins, mais conhecida como Alameda (ela ainda recebe os nomes de Pajarito, Providence, Las Condes e outros à medida que adentra os bairros da capital), exibe monumentais prédios em estilo neoclássico, contruídos com grandes blocos de granito escuro e guarnecidos de esplêndidas portas em madeira ou ferro trabalhados. Na Alameda, situa-se outro Club Union, um suntuoso palacete que ocupa um quarteirão. Escolho, para jantar, um restaurante em frente ao hotel, o Bar Nacional, preferindo sentar-me ao balcão embora haja mesas no piso superior. Ainda sob o efeito da saborosíssima empanada que havia comido em Arenas, peço uma de marisco. Contudo, não resisto à gula quando vejo meu vizinho comendo interessantes canapés de camarão e salmão; pergunto ao garçon qual o nome do prato e entendo "canapés marítimos" (posteriormente, descubro que o nome correto é canapé de marisco), uma delícia este sanduíche aberto! Deixo pra tomar café e comer o postre em outro lugar, assim vou expandindo meus conhecimentos gastronômicos. Entro no Havanas, que além de ser uma cafeteria, é também a franquia dos famosos alfajores argentinos. Maneiro, o lugar tem ainda um mezanino com sofás e mesinhas. Beberico meu café, fumo um cigarro enquanto leio um jornal. Saio e, mais adiante, sou atraída pelo colorido dos sorvetes exibidos na vitrine de uma sorveteria. Não resisto e saio de lá bem feliz lambiscando uma casquinha com três sabores enquanto circulo sossegadamente pelas ruas adjacentes ao meu hotel.

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