sábado, 17 de junho de 2006

Retorno a Salvador

Renato, gentil, ontem à noite se prontificara a me buscar na pousada e me levar de carro até a rodoviária. Chega na pousada às 07:15 e enquanto o ônibus não sai ficamos conversando quando então embarco às 07:30 chegando em Salvador às 13:40. O dia lindo, quente, 26ºC. Hospedo-me num albergue, o Laranjeiras, quarto individual, com diária de R$ 70,00 e direito a café da manhã. Fica no Pelourinho, justo no fervo, por isso tão caro prum albergue! O bairro como não podia deixar de ser está todo enfeitado para as festas juninas, com as características bandeirolas verde-amarelo. Entretanto, a capital dos baianos caprichou porque há também camisetas gigantescas da seleção canarinho e balões forrados de chita florida pendurados em varais sobre as ruas do bairro mais turístico da cidade. Um bulício o Pelô. Sou abordada a toda hora por adolescentes e garotas oferecendo as indefectíveis fitinhas coloridas do Senhor do Bonfim e colares de sementes. Recuso, eles insistem, e assim ficamos nesse joguinho até que, vencida, compro mais uma bugiganga pra me ver livre da cantilena. É um assédio só! Também as baianas vestidas com seus lindos vestidos brancos rendados convidam pra posar com elas nas fotos. Pensam que é de graça? Qual o quê! cobram até o sorriso, se o turista desprevenido vacilar! É puro achaque o Pelourinho. Apesar de bem policiado o miolo do bairro, mesmo assim há que se ter cuidado porque os pivetes, se você der bobeira, te tiram a máquina digital ou qualquer outro pertence valioso. À noite, sento-me num restaurante em frente ao albergue com mesas na calçada. Chama-se Matusalém e peço umas trouxinhas de taioba com crocante que vem a ser um cozido de galinha desfiada com folhas de taioba. Nada de excepcional o tal de prato. Pra acompanhar uísque com água de côco, tudo a ver com Salvador, justifico eu cá com meus botões. A água de côco, com certeza, mas o uísque tenho lá minhas dúvidas, hehehe. Um cantor se acompanha ao violão entoando um bom repertório de MPB. Aliás, em tudo quanto é bar e restaurante do bairro rola música ao vivo, numa variedade de ritmos que satisfaz praticamente quaisquer gostos: forró pé-de-serra, reggae, axé, baião, bossa nova e outros mais, sem deixar faltar, é claro, o bom e velho samba de raiz (afinal, o samba nasceu na Bahia, não é mesmo?). Numa rua parela, ouço uma batucada, apuro o ouvido e vou até lá: são umas meninas do Olodum em breve apresentação. Às 4 da manhã, sou despertada por uma voz feminina ainda cantando num bar das redondezas. Realmente, Salvador é uma festa só pra quem gosta desse tipo de agito! 

De nada adianta eu ter acordado cedo hoje, dia 17 de junho, porque o dia além de nublado e chuvoso apresenta rajadas fortes de vento embora sejam rápidas. Resignada, permaneço deitada lendo até às 09:00, porque sem chance ir à praia. Dou uma banda pelas ruelas do Pelô, tenho ainda bastante tempo, meu avião só sai à tarde. Caminhando pelas ruas daquele tão incensado bairro, chego à conclusão de que não gosto muito desse conjunto arquitetônico histórico: tudo tão mal cuidado, pobre e de aparência suja. A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco dá pena, os lindos azulejos que recobrem suas paredes estão desbotados, apresentando falhas, lastimáveis! O interior da capela mostra igual descuido com o lindo trabalho de entalhe dourado em seus altares. Não é só o Pelô, a cidade é mal cuidada, a maresia castiga os prédios produzindo aquele encardido de mofo, causando má impressão aos olhos. Se não fossem a alegria e simpatia do povo baiano e o lindo cenário natural que a circunda, Salvador seria apenas uma pobre e feia cidade. Claro está que disso tudo excetua-se a orla marítima com seus bons hotéis fazendo de conta que estamos no 1º mundo. Enfim, enquanto faço estas breves reflexões andando pelo centro turístico, deixo-me convencer por uma baiana - simpática como todas o são, aliás - a fazer dread locks em meus cabelos. Hábil, ela faz trancinhas em todo o cabelo e amarra-as, a meu pedido, com lã...adivinhem de que cor?! Verde e amarelo! Fico uma graça, gente, viro a própria branca maluca! Meu retorno pra casa será sensacional com esse penteado, podem crer!

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