segunda-feira, 12 de junho de 2006

Almoço nas Fadas

Acordo cedo demais pra fazer qualquer coisa, inclusive tomar café, então dou um tempo deitada enquanto leio um livro. Aliás, não viajo sem levar algo pra ler, às vezes até dois livros ponho na mochila, é um receio muito antigo esse de ficar sem qualquer leitura de meu apreço. Às 9 horas vou pra sala onde é servido o desjejum e me alimento bem, assim não preciso de almoço. Fico de papo com Silvia por um tempo e então me mando da pousada. Quero, antes de ir ao Riachinho, passar na casa de Maceió que eu conhecera antes de ir pro Paty. Apesar do apelido, é baiano e muito do simpático. Bom de papo é casado com uma francesa e ambos vivem de vender artesanato. Não resisto e compro umas pulseiras pra presentear minhas afilhadas. O casal e dois amigos estão assistindo a um dos jogos da Copa quando chego, fico de conversê um pouco e pego então a estrada rumo ao Riachinho distante uns 4 km. Neste lugar passa um rio onde há uma pequena queda d’água. Como o tempo está nublado, a temperatura não é lá das mais convidativas para que eu me anime a entrar n’água, motivo pelo qual não demoro no lugar.Volto à estrada pretendendo retornar à vila quando chama minha atenção uma placa anunciando um restaurante com o sugestivo nome Fadas. O cardápio afixado no muro indica comida italiana. Nem vacilo, entro, adoro massas. O lugar, de cara, mostra-se super aconchegante. Uma grande sala onde várias mesas cobertas com toalhas brancas estão preparadas para receber os comensais. Num recanto, um sofá macio e almofadas jogadas no chá de madeira estão dispostos em frente à lareira acesa. A tarde já começa a apresentar ares invernais: uma garoa insistente começa a cair e logo baixa um nevoeiro que me impede de continuar a fotografar. O proprietário, um italiano, o Mario, é casado com um pintora paraense, pais de Artemísia, menininha de dois anos, que tenta me enganar mostrando com a mão 5 dedinhos, motivo por que a apelido de Pinóquio. Mario e um casal de amigos entram no salão de refeições pra assistir à partida Itália versus Gana. O menu, embora não apresente grandes variedades de pratos, parece apetitoso. Peço de entrada uma salada de rúcula, alface, berinjela, cogumelos, tomates, ricota e pão que como na frente da lareira bebericando enfim um bom vinho tinto. Dou um tempo curtindo as chamas que, assanhadas, lambem as grandes toras de madeira. Sento, então, à mesa onde almoço um tagliateli com funghi. Panna cota enfeitado com um fio de mel pra adoçar tanto salgado, um bom café seguido de um licor de chocolate são os arremates de minha refeição. Saio de lá antes de o jogo terminar já sabedora que o escore aponta a Itália como provável vencedora da partida. Caminho praticamente todo o trajeto até a pousada no escuro, tanto que sinto um medinho, mas sacudo os ombros e trato de dar um basta na síndrome do “estou com medo de seu lobo chegar”. Sinto-me por demais satisfeita com tudo, só não canto pra não estragar o cricricri dos grilos e o coachar dos sapos que são mais afinados do que eu. Pra completar tanta harmonia, os pirilampos me dão uma forcinha, acendendo seus holofotes pra clarear um pouco a escuridão. Eu até poderia ter aceito a carona que os amigos de Mario me ofereceram ou chamado um mototáxi (estão pensando que a Vila é o quê? Há, sim, este tipo de transporte no Capão, ora!), mas o meu tesão em caminhar foi maior do que qualquer receio que eu pudesse ter em sair sozinha pela estrada já com a noite se instalando. Fuii!!!

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