sexta-feira, 9 de junho de 2006

Cachoeirão por cima

Às 08:50 saímos da casa de seu Wilson. Reúnem-se a nós os três jovens que eu conhecera ontem na Gruta do Castelo já que também pretendem conhecer o cachoeirão por cima. Eles estão fazendo o caminho inverso: vêm de Andaraí guiados pelo Plince, um moleque de 18 anos. Do pequeno grupo faz parte Simone, uma suíça de 30 anos, bióloga, que juntou dinheiro pra usufruir o que se chama de ano sábatico, aproveitando pra viajar pela América do Sul, mais Marcos, um baiano alto, fortão, sempre na boa, não sei bem se namorado ou amigo da suiça. Uma boa parte do trajeto se passa percorrendo os Gerais do Rio Preto, assim chamados os campos gerais, cuja vegetação não é tão rica quanto a dos campos rupestres, exibindo arbustos de pequeno porte, com um pouco mais de um metro de altura, gramíneas, poucas flores, destacando-se entre elas certos tipos de orquídeas e bromélias. Vêem-se aqui e acolá tufos de sempre vivas em variegadas colorações. Chegamos lá às 11:30. A cachoeira é bem menor do que a da Fumaça, mesmo assim impressiona com seus 200 e tantos metros de altura. Todos nos deitamos na beirada da rocha pra poder espiar aquele olho d’água lá embaixo alimentado na época de chuva por dezenas de cachoeiras. O calor do meio dia faz com que a gente deseje estar na sombra mas nesse tipo de vegetação é difícil encontrar um cantinho protegido quando então nos abrigamos sob umas pedras que formam uma relativa zona de sombra e ali nos sentamos pra saborear um lanche trazido da casa de seu Wilson. Eu e Marivaldo depois de descansarmos, retornamos deixando para trás Plince, Simone e Marcos que preferem continuar por ali curtindo mais um tempo o lugar. Ao chegarmos no Pati, entramos numa trilha que vai dar na Cachoeira da Altina, uma pequena cascata do rio Pati, onde tomo um belo banho. A água, apesar de gelada, me reanima depois da caminhada de 6 horas. Quando estou chegando na casa de seu Wilson, vejo mais um casal armando a barraca no terreiro. Após tomar banho, beberico uma cachacinha de banana pra lá de gostosa enquanto espero a janta. À mesa, além de mim e Marivaldo, sentam-se também não só os nossos três companheiros do trekking de hoje como Mariane e Felipe, o casal que havia chegado à tarde enquanto estávamos na trilha, vindos de Capão. Terminada a ceia, Mari, Felipe e eu nos sentamos à soleira da porta e lá ficamos curtindo a lua já cheia. Conversando sobre nossas aventuras, fico sabendo que ambos fizeram o trekking da cachoeira da Fumaça por baixo e depois subindo até a parte superior, num ascenso pra lá de cansativo porque muito íngreme, tipo escalaminhada, tendo de se agarrar em troncos, galhos de árvores e o que mais encontrassem de modo a poder se apoiar com segurança para continuar a subida muito forte. Porém, me garantiram, que valeu todo o esforço porque o visual foi demais, lindo mesmo. Cansados das caminhadas feitas durante o dia, nos despedimos embora ainda não sejam 22 horas. Amanhã teremos de enfrentar longas jornadas, eles indo até o cachoeirão por cima, eu retornando a Capão.

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