sábado, 29 de abril de 2017

Casamento Hindu

25/04/2017 a 30/04/2017 – Terça-feira a Domingo - Pokhara
Pokhara, capital da região oeste do Nepal e a 200 km de Kathmandu, é a terceira cidade mais populosa do país, com mais ou menos 400.000 habitantes. Tem um próspero parque industrial fora da vista dos turistas que se aglomeram nas áreas turísticas de Damside e Lakeside onde há restaurantes, lojas e hotéis pra todos os gostos e bolsos. Retorno à Guest House North Star, porque gostei do ambiente familiar, em especial de Namrata e Mina, respectivamente, cunhada e mulher de Narayan, dono da pousada e da Trek Around Nepal, agência responsável pelos meus 2 treks. O preço convidativo de 10 dólares também influi na escolha. Dessa vez, Mina me acomoda numa suíte com dormitório, sala, cozinha e banheiro. Embora pertíssimo das agitadas ruas do Lakeside, a pousada fica numa tranquila rua, longe da zueira. Pra meu delírio, Mina me convida no meu último dia na cidade pra um autêntico casamento hindu duns amigos dela. A cerimônia religiosa dura 4 horas e eu enlouquecidamente fotografo e filmo tudo!! Pokhara tem temperatura agradabilíssima, calor durante o dia e, à noite, uma bem-vinda friagem por estar situada a 800 metros acima do nível do mar. Durante os 5 dias em que permaneço nesta agradável cidade cujos ares de balneário se devem a sua preciosa localização à beira do lago Fewa, estabeleço certos hábitos. Desfruto meu desjejum num café diante do lago em companhia de Silvia, a italiana que conhecera durante o trek do Everest, e Richard, um americano de ½ idade, aproveitando o dolce far niente dos aposentados. Lá permaneço o resto da manhã jogando conversa fora e curtindo o movimento dos nepaleses que passam de lá pra cá e de cá pra lá. Destacam-se entre os colegiais uniformizados, os cabelos das meninas caprichosamente trançados e enfeitados com laçarotes de fita branca, o insistente vendedor de côco em fatias, as vendedoras de verduras carregando a mercadoria em cestos de palhas às costas, duas tibetanas sempre sorridentes oferecendo bijuterias que tiram das mochilas, mulheres com saris coloridos empunhando sombrinhas pra se protegerem do sol, enfim, um mundaréu de gente que caminha na avenida à beira do lago, e como não poderia deixar de ser, cachorros e vacas desfilam também diante de meus olhos encantados com tanto exotismo. Foram dias de céu limpo, sem vento, salvo dois dias de rápidas e fortes chuvas antecedidas por nervosas ventanias. No lago, barcos movidos a remo e a motor transportam não só turistas como nepaleses dum ponto a outro da cidade. Paraglidings colorem o céu balançando ao sabor das térmicas sobre o lago Fewa. Mulheres lavam roupa à beira do lago ao lado de homens que pescam. Não vejo nenhuma mulher dirigindo carro, mas em compensação são umas divas manejando suas scooters pelas ruas de Pokhara. Vontade deu de pedir pra dar uma banda com uma delas! Descubro a rua das bancas de frutas e de grelhados e lá me esbaldo, comprando suculentas mangas e maçãs além das deliciosas uvas sem sementes. Me torno fã de tandoori chicken acompanhada de espetinho de batatas assadas, levemente crocantes por fora. As comidas nepalesas são um capítulo à parte. Provo jery (doce frito feito com farinha de trigo) mas acho sem graça, adoro o panipuri (crocante casquinha de trigo recheada com pedacinhos de batata), mas não arrisco no patota chup (bolinho de batata empanado com farinha de trigo) porque não posso alimentar em demasia meu colesterol, contudo o chat (bolo salgado feito com feijão branco e batatas acompanhado de fatias de cebola, tempero verde, açúcar e mel) aprovo porque bem mais saudável. Embora fritura, não há como resistir à samoza (pastel cuja massa é feita com farinha de trigo e recheado com batata) que vai bem com uma cerva geladinha. E claro me esbaldo nos momos (trouxinha de farinha de trigo que pode ser frita ou no vapor, recheada com verduras ou galinha) que molho naquele picante molho de pimenta. À noite, as águas do lago refletem as luzes verdes, amarelas e vermelhas que enfeitam muitas das residências cujo estilo é pra lá de cafona, com colunas imitando troncos de árvores. Passear pelas ruas tanto de dia quanto à noite é uma tranquilidade. O máximo de assédio se manifesta na curiosidade de alguns nepaleses perguntando o inevitável "where are you from". Quando sabem, contentes com seu conhecimento sobre o Brasil, exclamam "football, Ronaldo, Pelé" e por aí vão citando nomes de jogadores que nem eu conheço. Uma cidade que exibe num restaurante a inscrição “being happy is a habit. Choice is yours!” só pode proporcionar bem estar, não é mesmo?

Um comentário:

Miriam Chaudon disse...

Que oportunidade boa para conhecer melhor a cultura do local com este inusitado convite de casamento! Bem bacana essa vidinha nepalesa....capaz da minha amiga ir de muda para o Nepal! Tudo é possível!
Ah! e o ditado eu amei, já vou postar lá no meu facebook!