sábado, 1 de setembro de 2007

Rappel nas Cachoeiras do Rio dos Couros

Acordo entusiasmada já que vamos fazer dois rapéis no Rio dos Couros, distante mais de 50 km de Alto Paraíso. Saímos da rodovia GO 118 e entramos numa estradinha de terra pra lá de esburacada e empoeirada. As árvores mais próximas estão esbranquiçadas do pó levantado pelos veículos que por ali trafegam. Não chove há meses no cerrado. A trilha que conduz ao local do primeiro desnível do rio dos Couros é curta, não mais de 2 km. Lá de cima enxergo uma sucessão de quedas e piscinas por onde o rio serpenteia formando um canyon cujo desnível atinge 300 metros. Inicio a descida do primeiro rappel - 25 metros – e dou uma resvalada na pedra molhada caindo de lado, respiro fundo e trato de me firmar na corda, encaixando os pés corretamente nas pequenas brechas entre as pedras. Consigo descer na boa enquanto Zói me incentiva fazendo a segurança num largo terraço situado mais abaixo. A outra descida, igualmente de 25 metros, entretanto é mais fácil porque bordeja a segunda queda d’água. Deslizar pela rocha seca é moleza, o pé não escorrega e me sinto mais segura. Atinjo um estreito patamar sem maiores dificuldades onde Íon faz meu backup até me enganchar na corda que desce até ao poço situado 12 metros abaixo. E lá vou eu deslizando a uma velocidade de aproximadamente 40 km/h quando bato com os pés n’água. Esquecendo de encostar o queixo no peito, levo um forte laçaço no pescoço. É minha primeira tirolesa e não curto muito, não. Prefiro mais rapelar. O pessoal que descera antes de mim estão, alguns deitados sobre os largos lajedos à beira do poço, enquanto outros sentam-se encostados num paredão alto e rochoso mais adiante. Pacheco nos convida pra ir até onde o rio dos Couros despenca num declive maior que os anteriores. Pra isso temos de cruzar a nado um largo e fundo poço até atingir a margem oposta de onde se avista o rio descendo abrupta e verticalmente sobre as rochas, perdendo-se de vista no canyon situado a uns 50 metros abaixo já que uma curva acentuada à direita o engole de vez nos desvãos dos paredões rochosos. Retornando ao lugar onde está estacionada a van, paramos para um último banho numa prainha coberta de areia fina e branca. O sol, já baixo no céu imaculadamente azul, incendeia as rochas acentuando sua coloração ocre em contraste com o verde das árvores. O final de tarde tinge-se de azul, branco, vermelho e verde. Suspiro emocionada, estou apaixonada em definitivo pelo cerrado goiano! Não quero mais ir embora daqui, resmungo com meus botões. Porém o dia cede lugar à noite e estou eu agora em Alto Paraíso, num restaurante onde está rolando a festa oferecida pela Travessia em comemoração aos seus 10 anos de atividade. A música ao vivo faz com que eu levante da cadeira e comece a dançar apesar do cansaço do longo dia de atividades. A batida de maracujá feita pela Marcela está divina. Belisco uma delicada empadinha recheada de palmito e tomate: uma gostosura! E a lua cheia já perdeu um naquinho de sua superfície redonda. Mesmo assim ainda explode branca no escuro da noite.

Um comentário:

Marcela disse...

Tô morrendo de saudades!!!!!
Um beijo bem grande....
Volta logo....
Eu faço batida!!!!!
Marcela