sábado, 8 de setembro de 2007

Na Parede

Ontem à noite o pessoal de Brasília que também está acampado aqui, em Macaquinho, fez uma janta muito gostosa. São três casais: Marcelo, Fernanda e seu filho de 4 anos, o Mateus, um amor de criança, inteligentíssimo, muito atento a tudo o que rola, Mara e Alessandro, Paulinha e Raul, vulgo Ratinho. Estes dois casais praticam escalada, inclusive Mara e Alessandro já foram donos de uma escola pra ensino e prática deste esporte. Paulinha e Raul foram, no início do ano, pra Europa escalar algus picos na Espanha e Suiça. Ficamos batendo um papo gostoso sobre as diversas modalidades do esporte enquanto cozinham um rangão legal na cozinha de Fausto: arroz com cenoura, purê de batatas e estrogonofe de atum. Marcelo, de todos eles, é o que mais curte cozinhar e sua comida é, deveras, muito saborosa. Dá pra perceber que ele gosta e entende do riscado. Em conversê com Paulinha após a janta, descubro que é brasiliense, filha de mineiros. A garota de 21 anos, muito falante e simpática, me aponta as diferenças entre baianos, goianos e mineiros. “Baiano te conhece na praia e já te convida pra ficar na casa dele. Se você ficar um ano, ele tá nem aí. Em troca, caso ele vá lhe visitar, fica o tempo que achar necessário, na boa.” Dá uma pausa, toma um gole de vinho e continua “já o mineiro te observa, te analisa, tem uma intuição fodida pra sacar, de cara, quem presta ou não. Ao perceber que você é gente boa, entrega as chaves da casa e se torna um amigo pra vida toda.” Mateus nos interrompe querendo brincar. Paula faz-lhe a vontade. Retorna ao papo, um pouco depois, do ponto em que havia parado “o goiano também é legal, se parece um pouco com o mineiro, contudo é mais turrão e menos flexível”, dispara ela. Fazemos uma fogueira e sentamos ao redor curtindo e conversando mais um pouco. Hoje, domingão, alto sol, calor pra lá de bom, me toco pra cachoeira das 3 Marias com eles. Vão praticar bolder nas rochas que contornam o rio. Eu, que há horas estou com vontade de entrar nessa de escalar, fico só observando. Mara me convida pra tentar, recuso. A fome aperta, deixo então eles ali e vou almoçar. Corto um tomate em rodelas e almoço o resto de purê que sobrara da véspera. Não demora muito, logo retorno à cachoeira. Eles ainda estão escalando. Dessa vez me animo e quando Mara me convida novamente, esfrego minhas mãos com magnésio e mando ver! Sinto-me tão contente pendurada naquelas pedras, tentando descobrir os pontos certos pra encaixar minhas mãos e pés que nem sinto medo. É bom demaiiiiisss!!!! Escalo três vezes o paredão e ambas me cumprimentam. Estou toda prosa, não preciso de mais nada hoje!!

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