sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Fazenda Macaquinho

Hospedada na pousada Jardim do Éden, cuja dona, a meiga Lucia Helena, cultiva um herbanário onde crescem as mais variadas ervas que se possa imaginar, somos, eu, Pece, Francisco e Ricardo mimados como filhos por ela que, entre várias gentilezas, deixa no nosso quarto sobre a cama uma erva cheirosa diferente a cada dia, juntamente com um texto de sua autoria repleto de mensagens otimistas e amorosas. Seu maravilhoso café da manhã cheio de comidinhas integrais de alta qualidade além de super nutritivas são enfeitadas com pétalas de amores perfeitos. Somos sempre recebidos quando voltamos de nossos passeios com um chá de ervas para combater o que ela chama de imperil, que vem a ser um cristal que se aloja no fígado e causa vários males à saúde. O tal de chá aliás torna-se uma sensação e o resto do pessoal que está alojado em outra pousada, vem no dia seguinte bebê-lo para também usufruir de seus efeitos benéficos. Pra variar, Pece, que não perde uma oportunidade pra gozar de tudo e todos que afrontam sua lógica cartesiana, funda a confraria Unidos do Alecrim. Até reza o diacho do homem inventa a partir de um texto da boa Lucinha: “A vida é bela, o mundo é perfeito, obrigado Alecrim!” Somos obrigados por ele volta e meia a repetir tal mantra, estendendo as palmas da mão pra cima e revirando os olhos. Meus deus, nem acredito que entrei nessa...porém entrei! Bueno, bem alimentada após o lauto desjejum, vou então conhecer a fazenda Macaquinho, situada no vale do Macaco. Rebatizada pelo seu proprietário, Fausto Souza Melo, de Santuário das Pedras, esta propriedade é um jardim do éden encravado em pleno cerrado da Chapada dos Veadeiros. Banha-a o ribeirão Macaquinho que forma várias cachoeiras como a do Sereno, Pedra Furada, das Andorinhas, da Caverna, cujo poço adentra uma funda gruta e a do Encontro, assim chamada porque os córregos Macaquinho e do Fundão confluem resultando na linda queda que despenca num poço de água verde-escura. A vegetação é de cerrado rupestre, conforme me explica Pacheco. A trilha, curta - não atinge 2 km - não oferece maiores dificuldades, excepto por um trecho em aclive calçado por troncos de madeira de cor amarela formando degraus encimados por um pórtico enfeitado com diversas mandalas. Bem cuidadoso o tal de dono. No retorno, paramos na cachoeira do Sereno e por lá ficamos um bom tempo tomando banho em suas águas, conversando e lagarteando ao sol deitados nos lajedos que circundam o poço. Saímos de Macaquinho, não sem antes o dono nos oferecer, gentilmente, uma arnica (acho que é a cachaça oficial da região, pois é servida em quase todos os lugares por onde andamos). Ao entardecer, retornando a Alto Paraíso, obrigamos Hugo, o motorista, a parar a van, de modo a apreciar o belo pôr do sol escondendo-se atrás das serras. Todos descem do veículo e as máquinas explodem em flashes ensandecidos. Não basta apenas reter na memória tal instante, a recordação tem de ser digitalizada, ora pombas!
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