terça-feira, 4 de setembro de 2007

As flores do cerrado na Trilha do Rio Prata

No trajeto até às cachoeiras do Rio Prata, me encanto com as sucupiras carregadas de flores roxas e com os ipês amarelos pincelando de cor a paisagem. Observo que muitas sucupiras brancas, após a florada, exibem sementes ovaladas cuja tonalidade amarelo-claro adornam de dourado seus galhos já despidos de folhas. Algumas espécies de árvores, como a copaíba, exibem folhas, nesta época do ano, dum lindo tom avermelhado. Posteriormente, adquirem tonalidade esverdeada. Num folhudo pé de pequi, ainda se vêem vestígios de suas lindas flores amarelas. Esbeltas sempre-vivas destacam-se contra o azul do céu. O rio Prata é um complexo de lindas quedas d’água, não muito altas, formando poços de límpidas águas cor de mel onde são visíveis os lambarizinhos nadando no fundo de seu leito. Vejo planando sobre o rio muitos urubus, gaviões e carcarás. Nuvens fofas maculam de branco o azul claro do céu. Chama a atenção a quantidade de cupinzeiros espalhados pelos campos. Jair explica que isso se deve ao fato de da pobreza do solo causado pelas incessantes queimadas. Damos novamente carona, desta feita para um jovem casal de kalungas, carregando a moça um bebezinho que dorme tranqüilo em seu regaço. Também eles perguntam quanto custa o frete quando descem em Cavalcante!! Meu deus, se os nossos políticos agissem com a dignidade e honestidade dessa gente, o país seria bem menos pobre! Novamente sentamos no bar em frente à pracinha cuja dona, a simpática Helia, é boa de prosa. Diverte-se com as bobageiras ditas por mim, enquanto verte num copo uma dose caprichada de Seleta. Há uma sinuca no salão e  alguns homens disputam alegremente uma partida. A linda arara, do lado de fora, é um chamariz. Pousada num muro, passeia pelo estreito espaço emitindo seus ruídos característicos. Helia fala que se eu quiser tirar fotos posso pegá-la pois é mansa. Não me arrisco, acho a ave meio nervosa, não pára de emitir aqueles irritantes grasnidos. Jair, gentil, segura-a, enquanto filmo. Pois não é que a bicha lhe bica o dedo? Tadinho, levou a bicada que me estaria reservada, caso eu houvesse seguido o conselho da Helia. Ah, essa Helia....que marota!! Na pracinha em frente, meninos jogam bola enquanto num caminhão que passa os indefectíveis vendedores paraibanos, através do alto-falante, anunciam redes e colchas por preços convidativos. Ao lado do bar, um vendedor de caldo de cana extrai o suco naquelas engenhocas próprias para tal mister. Estou na boa, na santa paz de um lindo fim de tarde, curtindo este belo país, o meu Brasil! Quero outra vida, não, ô sô!
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