domingo, 26 de agosto de 2007

Poço das Loquinhas

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Acordo alvoroçada, já com o pé que é um leque, louca pra dar uma caminhada, explorar o lugar. Por sugestão de Marcela, a quem encontro na recepção da pousada (pois não é que a guria já estava atrás de mim?), me toco pras Loquinhas. Como a minha visão de Alto Paraíso havia sido apenas a noturna, agora vejo-a com olhos diurnos e gosto do que vejo: na larga e comprida avenida principal, Ari Valadão Filho, há um canteiro central cheio de árvores, algumas já floridas. A cidade vazia, bem ao meu gosto, raras pessoas nas ruas, um carro lá que outro trafegando e quando passa é sem pressa. Também pudera, são 9 horas da manhã! Observo ruas com sugestivos nomes de Segredo, Moinho, Das Araras, Das Nascentes. Alto Paraíso de Goiás, com pouco mais de 5.000 habitantes, fica aos pés da serra do Paranã. Escolhida por uma comunidade mística que lá aportou na década de 80, supondo a cidade impregnanda de altas energias positivas (reza a lenda que devido a grande quantidade de cristais existentes em seu solo), é crivada de centros esotéricos das mais diversas linhas: os há para todos os gostos. Numa placa, em frente a uma casa, oferece-se a leitura do tarô em várias línguas. O turista, seja qual canto vier do planeta, não ficará a ver navios caso queira saber seu destino. Pego a estrada que conduz às Loquinhas e vou me afastando da cidade num percurso de talvez uns 4 km. Adoro este tipo de solidão, eu numa trilha ou estrada, solita, eu, somente eu. Em lá chegando, o simpático rapaz que cuida do lugar explica que Loquinhas significa furnas. Banhada pelo córrego Passatempo, é um complexo de sete poços: Curupira, Curumim, Seriema, da Vovó, Xamã, Pagé e Sol. Garante que, embora estejamos na época da seca, alguns poços ainda têm água suficiente pra eu tomar um belo banho. Foi construída, num determinado trecho da trilha, uma passarela de madeira que conduz aos poços. Me encanto com o segundo deles, o poço do Curumim. É lindo, as pedras cálcareas variam de uma tonalidade branca ao alaranjado. Conforme a luz incide na água, a pedra vai adquirindo um tom esverdeado, belíssimo. É ótimo de se banhar porque seu fundo é coberto por um lajedo de rochas largas e lisas. Daí por certo o nome. Bom pra banho de crianças! Fico embasbacada com a cor da água do poço do Xamã cuja tonalidade verde esmeralda é linda linda! Os outros poços são também encantadores mas tenho de retornar à cidade. Escolho o restaurante do Jatô, cuja comida é bem legal, tipo bufet, tem até perdiz. Prefiro, no entanto, comer um peixe chamado marpará. Bato um papinho com o dono, cujo nome é o mesmo do estabelecimento, enquanto aguardo o grupo que vem de Brasília e ao qual vou me reunir pra ir à Vila de São Jorge. Quando chegam sou apresentada pelo guia Pacheco às pessoas e nos tocamos pra Vila num trajeto de 46 km. No caminho, paramos para admirar o Jardim de Maitrea, lugar deveras bonito com veredas de buritis, destacando-se na paisagem a imponente serra da Baleia. Todos descem enlouquecidos da van pra tirar fotos. É um tal de clique pra lá, clique pra cá que se intensifica mais quando Pacheco aponta no topo de um buriti um ninho de araras. Chegamos então na vila de São Jorge, com cerca de 600 habitantes. Me decepciono um pouco, imaginava outra coisa.... enfim. Com uma boa infraestrutura de pousadas e restaurantes, ela vive de turismo. Excitada, largo a mala no quarto e desço pra encontrar Pacheco. Ele me leva pra beber uma cachacinha de arnica no restaurante Buritis. Realmente, agora se consolidou: a bebida será a arnica! À noite, o grupo decide jantar na pizzaria Lua de São Jorge. A decoração rústica é super transada, há recantos com sofás, futons e almofadas largados sobre o assoalho. A pizza é muito boa. Como eu havia lido na internete que à noite ocorreria o fenômeno das duas luas, me toco com Gudu, o outro guia, prum lugar afastado do centro do vilarejo, chamado Mirante, onde poderei observar Marte crescer no céu e se igualar à lua cheia que, aliás, ilumina a estradinha de areia branca e fina. É tudo muito encantador e o calor está a milhão! Esperamos, eu e Gudu, além da uma da manhã (estava marcado pra 00:30 o tal fenômeno) e nada de Marte se agigantar no firmamento. Desiludida, convido Gudu pra irmos embora. No dia seguinte, algumas pessoas do grupo zoam de mim por ter acreditado nas patranhas divulgadas pela internete. 54 anos e ainda ingênua, pode?!

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