terça-feira, 28 de agosto de 2007

Vale da Lua e Encontro das Águas

Louquinha pra conhecer o famoso Vale da Lua, embarco na van com meus companheiros. Na breve trilha que conduz ao local, avisto ao longe a serra do Segredo que se estende à oeste acompanhando o rio São Miguel cuja nascente se encontra na Serra do Buracão, passa pelo vale da Lua e desemboca no Tocantinzinho situado a cerca de 50 km. O vale, com uma extensão de pouco mais de 3 km, é um suceder de rochas acinzentadas, exibindo em sua superfície ondulações suaves cujas formas lembram o suave relevo de dunas. No interior das rochas, encontram-se piscinas de águas transparentes e pequenas cascatas surgem das dobras das pedras espalhando barulhentamente a água fria e branca. Minicavernas apontam em meio aos rochedos revelando-se um esconderijo ideal contra o forte sol da manhã. Raras nuvens aqui e acolá tingem o azul do céu. Besouros zumbem no ar. Quer coisa mais maravilhosa? Vou ao encontro do grupo que brinca, tal qual crianças arteiras, de escorregar num tobogã escavado nas rochas. Peço emprestado de Francisco seu snorkel e mergulho numa pequena piscina explorando as rochas que formam arcos sob a superfície d’água. Volto à tona meio engasgada e peço instruções a Gudu sobre o modo correto de usar o aparelho. Mergulho novamente e nado quase rente às rochas do fundo do laguinho tal qual uma cobra d’água, ou assim suponho. Já cansada de tanta atividade dentro d’água, sento perto do grupinho formado por Claudia, Valéria, Mari e Heidi que conversam sossegadamente como se fossem velhas conhecidas. Trato de prestar atenção e logo logo estou tagarelando bem animada com Valéria. Pacheco nos chama pra irmos embora e lá vamos nós de volta à Vila. Descansamos um pouco na pousada, antes de rumarmos à Fazenda Encontro das Águas, nosso próximo passeio do dia pra conhecer o local onde o rio São Miguel deságua no Tocantinzinho. Excepto o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, todos os passeios que fiz em Alto Paraíso, Vila de São Jorge e Cavalcante são em propriedades particulares, cujos ingressos custam em média R$ 7,00. As trilhas bem cuidadas e demarcadas, dispensam, portanto, a presença de guia, se a pessoa assim o preferir. Num certo trecho da trilha, um pouco mais longa que a da manhã, Pacheco chama nossa atenção para o ponto de encontro dos dois rios que se avista do alto da colina onde nos encontramos. Descemos até o rio São Miguel e o atravessamos andando por seus extensos lajedos de rocha. Até então o rio vinha fluindo em uma superfície plana quando então desaba abruptamente por um desnível nas rochas dividindo-se em duas quedas d’águas simétricas e paralelas. Avançamos até o lugar onde se pode admirar a sua confluência com o belo rio Tocantinzinho, assim chamado em Goiás, porque é um tributário do Tocantins cuja foz deságua na baía de Marajó. Suas águas até então mansas, quando entram num desfiladeiro formado por estreitos paredões, iniciam uma descida turbilhonante escorrendo espumosas pelo desnível de seu leito. Passeando por suas margens, leio em uma placa a advertência “siga em frente ----> quenio para banho. Perigoso para quem não sabe nadar”. Dou tratos a bola procurando entender o significado da palavra “quenio” até me dar conta de que é canyon. Às 5 da tarde, voltamos pra sede da fazenda onde nos é servido um almoço feita por Dona Odesia, dona do restaurante situado na propriedade. A comida bem caseira, aliás como quase todas as que nos foram servidas durante os passeios, é farta e saborosa: galinha caipira, carne ensopada, feijão tropeiro, arroz com açafrão, arroz branco, feijão claro, massa, saladas de alface e agrião, cenoura e beterraba, tudo plantado na horta cultivada ao lado da casa. O calor, delicioso, bate ainda nos 30ºC. Pra terminar o dia, estou agora mergulhada numa piscina de águas quentes situada na Fazenda Rio Vermelho, bebendo vinho tinto enquanto Gudu serve uns salgadinhos pra gente. A lua cheia já se avista no céu claro. Quer coisa melhor da vida? Pois teve mais, siiim! Como queria muito ver o Vale da Lua à noite, paguei um extra e fomos pra lá, eu, Hugo, motorista da van, Pacheco e Zói. Havia lido na internet que quando há lua cheia os seus raios incidem no quartzito incrustados nas rochas e tudo se torna fosforescente, irradiando um brilho intenso. Claro, que estava super a fim de ver tal espetáculo. A lua cheia iluminava as rochas com alta nitidez pero nada dos tais brilhos nas suas superfícies. Penso com meus botões que certas coisas que se lê na internete não são lá muito críveis. Mesmo assim está tudo tão lindo que nem me incomodo. Ficamos umas duas horas deitados, cada um na sua, pensando na vida, curtindo a paisagem meio lunar do vale até que tal qual uma Cinderela, vamos embora passada a meia-noite. Vá que o lobisomen chegue, não é mesmo? Ui, que medo! Caminhando pela trilha que leva ao estacionamento, paro pra fazer xixi e sei lá por que resolvo olhar pra baixo e o que vejo me surpreende: pois não é que desenhado na areia urinei o mapa do Brasil? Excitada, chamo Pacheco e Zói pra que testemunhem o estranho fenômeno produzido por mim. Boquiabertos, perplexos e mudos, eles apenas balançam a cabeça. Gente, eu que nunca tive queda pra desenho, ainda assim consegui fazer da minha bexiga um magnífico pincel! Até hoje estou pasma, acreditem!
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