segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Poço do Segredo

Tenho como regra não participar de grupos, gosto de fazer os passeios só eu e o guia. Todavia resolvi abrir uma exceção, um pouco instada por Marcela, da Ecoturismo Travessia, agência de turismo de Alto Paraíso, argumentando que dessa forma sairia mais em conta, e outro tanto por curiosidade, pra ver no que vai rolar. Na noite anterior, na pizzaria Lua de São Jorge, o grupo se apresentara, destacando-se o bem humorado Pece, que logo se revelou o engraçadinho da turma. Em razão dos 10 anos da Travessia, cinco representantes de agência de ecoturismo de São Paulo foram convidados: Mari, Nuria, Mariana, Vivi e Isval. Um dia depois, se juntaram a nós, Virginia e Zói, baianos e guias na Chapada Diamantina, mais Claudinha, antiga funcionária da Travessia. Compõem, ainda, o grupo, Valéria, Paulo César, vulgo Pece, Francisco, Claudia, Ricardo e o único casal do grupo, os Galindo. Achei todos a princípio agradáveis e lá fomos nós então visitar a cachoeira do Segredo, o percurso mais longo dos oito dias em que permanecemos juntos. Pra se chegar lá, tem de se atravessar inicialmente o rio São Miguel (o mesmo que passa no vale da Lua) e, após, o córrego do Segredo 13 vezes, cheio de poços onde os banhos são freqüentes e necessários pra se refrescar da canícula, afinal a temperatura beira os 35ºC. Paramos várias vezes pra mergulhar em suas águas benvindamente geladas. Uma delícia!! Só não grito de prazer tal qual uma criancinha por medo de parecer ridícula. O solo, infelizmente, apresenta-se em alguns trechos colorido tristemente de cinza, resultado do fogo que perceptível ainda queima a vegetação em ambos os lados da trilha por onde estamos caminhando. O terreno calcinado dá pena. Como estas terras são particulares, os fazendeiros não estão nem aí, tascam fogo na vegetação de modo a poder alimentar seu gado. Vejo árvores lindas: a escorrega macaco, cujo tronco dum belo tom amarelado, já conhecera na Chapada dos Guimarães. Outras como murici, cedro, jatobá, aroeira, também típicas do cerrado, destacam-se, na paisagem, além das palmeiras buritis, indaiás e muricis. Começo a me aborrecer de estar com este pessoal e trato de ficar por último pra não ter de escutar seus conversês, alguns em voz tão alta que se ouve a quilometros...aiaiai, jesus cristinho, dai-me paciência!! Ao retornarmos à vila, o sol cai no horizonte exibindo um vermelho esmaecido. É tudo tão perfeito que deixo as ranzinzices antissociais de lado e me reconcilio com a idéia de pertencer a um grupo. Após a janta, no restaurante Buritis - um bufet de massas - sou vencida pelo cansaço: meu corpo reclama uma cama, hesito, remancho tal qual uma criança, não sem antes dar uma longa e demorada espiada na lua que avulta branca e linda no céu do cerrado goiano.

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