sábado, 17 de agosto de 2013

O mundo encantado do Convento Santa Catalina

Dia seguinte, temos, finalmente, a oportunidade de nos conhecermos, eu e Vevê! Adooooro o Face Book. Ele permite esse tipo de aproximação. Depois de trocas de msg (e nós estávamos a uma ou duas quadras de distância), eis que a moça surge no hotel. No jardim do piso térreo, divido uma mesa com uma alemã que ensina a filha francês (bizarro demais!! por que não espanhol?). Distraída, transferindo fotos da máquina para o computador, escuto “oi Beia”. Olho pro lado e vejo a moça acompanhada por 3 rapazes. Um deles é seu namorado, Marcelo. Os outros dois são Denni e Max. Este último é meu conhecido. Da internete, é claro! Trata-se de Maximo Kausch, escalador de alta montanha, mais cultuado no Brasil que no seu país de origem, Argentina. Transformou sua paixão pelas montanhas em profissão. Atualmente é guia duma agência inglesa que opera no Himalaia. Admirado por uma galera brasileira, fãzaça de suas façanhas, o cara, realmente, merece: é um aventureiro nato.  Faz costumeiramente aquilo que a maioria das pessoas só curte nas férias ou em fins de semana. Saímos do hotel e me admiro quando escolhem um prosaico restaurante especializado em massas com mesas de plástico e bancos fixos (parecia restaurante de shopping). Sei lá por quê, viagem minha, por supuesto, achei que curtiriam comidas típicas, tipo ceviche, rocoto relleno ou um chupe de camarones. Terminado o almoço, nos tocamos prum café na calle Mercaderes. Além dum menu cheio de comidinhas gostosas, dentre as quais deliciosas tortas e sorvetes, o lugar tem wifire. Os cinco têm pela frente uma longa espera já que partem pra La Paz de madrugada. Tanto me senti à vontade com eles que lá permaneci das 11 até as 23. E olha que sou meio arredia. Há em mim um tantinho de misantropia, embora não me furte em conhecer pessoas. Sei que soa meio contraditório mas é assim mesmo! O papo entre mim e Vevê flui como se fôssemos velhas conhecidas. Apenas eu e ela não estamos plugadas em notebooks, porque os 3 marmanjos só querem saber de navegar na web. Max, que acabara de culminar 59 montanhas acima de 6.000 metros, na Cordilheira dos Andes, se queixa quão difícil é ver reconhecido seu recorde pelo Guiness. Sinceramente, dou a menor pelota pra esses recordes. Reconheço porém que prum cara como ele, que vive de ser guia, tal registro faz diferença em  seu currículo. Impressiona pra caramba as pessoas. Quando saímos do café os guris estão animados e partem em busca de outras distrações. Afinal, ainda têm mais 4 horas de espera pela frente. Dirigem-se então pra calle San Francisco, point fervido das baladas arequipenhas. Na frente duma boate, de nome Deja Vu, eles param, alvorotados. Ladeando a porta de entrada do estabelecimento, duas belas moças, cujos trajes colantes modelam mais ainda seus corpos provocativos, servem de chamarizes à clientela masculina. Quando vejo Max e Denni, num trelelê animado, percebo o que vai rolar noite adentro. Despeço-me, rapidinho, da trupe, desejando tudo de bom e retorno ao hotel. De folguedos noturnos já tive muita over dose ao longo de 30 anos. Eles que são jovens que curtam sua balada.....eu, tô fora. Sábado, acordo feliz em estar numa cidade tão linda. O que é esse clima? Desde que aqui cheguei, e já faz 1 semana, nenhuma nuvem embaça esse céu de brigadeiro!! Depois do desaiuno (hoje teve panquecas), trato de ir ao monastério Santa Catalina de Siena. Seus muros traseiros são vistos do hotel. Bastou dobrar a esquina, eis eu atravessando seu portão de madeira e mergulhando num inusitado ambiente. Adoro esse lugar. Tanto que é minha segunda visita. E retornarei pra visitá-lo tantas vezes vier a Arequipa. É um mundo à parte essa pequena cidadela religiosa que ocupa um quarteirão no centro histórico da cidade. Ruas com nomes de cidades espanholas como Granada, Toledo, Córdoba, Burgos e Sevilha desembocam em páteos pintados em cores vibrantes. A flor predominante são gerâneos, plantados em vasos, inúmeros vasos, espalhados por onde quer que se ande. O sol forte do ½ dia reverbera nas paredes pintadas de laranja, azul e branco. É tudo muito colorido! Os aposentos das monjas são pequenas residências: jardinzinho, quarto, sala e, nos fundos, uma pequena cozinha. Claro está que apenas as arequipenhas endinheiradas podiam bancar tais confortos porque viver num convento saia bem caro. Além do dote e dum enxoval completo, era necessário pagar uma tarifa anual para custeio da alimentação. Flexível, o convento, permitia o ingresso de mulheres tão-somente para exercerem virtudes cristãs, sem que fossem obrigadas a abraçarem a vida religiosa (provavelmente viúvas ou solteironas). Dos terraços, avistam-se os onipresentes vulcões Chachani e Misti. E durante a visita soam belas músicas sacras. Sento à mesa da agradável cafeteria e sonho, enquanto bebo uma limonada, que adoraria ter vivido num lugar assim! Fazendo doces, bordando, cuidando dos jardins e orando diante de tão belas imagens. Uma velha fantasia que acalento desde menina essa de ser freira. Saindo de tão altas platitudes, vou às compras. Pouca coisa, apenas uma que outra lembrancinha necessária para algumas pessoas queridas. E mais não faço nesse dia porque o domingão me reserva uma boa: vou subir o Chachani.....hahahaha!!

Um comentário:

Nilza Brito disse...

Arequipa, bela cidade e expressiva soma de patrimônios bem mantidos, lembra muito Cusco colonial (vice-reinado).