quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Final de trek tem gostinho de "quero mais"

Saímos de Sangalle às 05 e 30 da manhã. Acompanham-nos Bliss e Fionnuala. Seu guia combinou de deixar a vila às 4 e 30 e as gurias quando souberam que nós sairíamos às 5 e 30, pediram pra ir conoco! Ainda escuro, ligo a lanterna de testa. Decorridos 40 minutos, desnecessário seu uso, já que a claridade da manhã se impôs. Fionnuala tão falante, ontem à noite, mantém-se quase muda durante a caminhada. Ah, nada como um tragoléu pra soltar a língua das pessoas e day after voltar a emudecê-las, hehe. Já Bliss mantém seu sorriso cheio de dentes. A trilha que, ontem, vista à distância tanto temor me inspirou, hoje não é tudo aquilo que eu imaginara. Essas perspectivas enganadoras...tsk tsk tsk! Não dá pra considerá-la fácil, afinal se trata dum desnível de 1.000 metros de ininterrupto ascenso, mas difícil não é. Sem maiores dificuldades técnicas, o bem marcado caminho exibe em seu lado direito o lindo visual do canyon onde se vêem, próximas uma da outra, as vilas de Malata e Cosñirhua, situadas no paredão oposto. Passam por nós alguns turistas montados em mulas. A subida deve tê-los amendrontado ou, então, mais provável, estão com as pernas esbagaçadas da descida de Cabanaconde a Sangalle. Encontro um grupo de brasileiros. Um deles, um gordão, enrolado na bandeira nacional, botando os bofes pela boca, só sabe dizer que está fudido, apontando pras pernas. Indago o óbvio ululante: “mas cara, por que tu não contratou uma mula?” E o gorducho, bem humorado (dificilmente um gordo não é bem humorado ou metido a engraçadinho....por que será?), responde que as mulas só aguentam até 80 kg, peso que ele tem em dobro, hahahaha!!! Hilária a situação do gordo, tadinho! A garotada está viajando pela América do Sul com a intenção de fazer um documentário tipo reality show pra tentar vendê-lo a um canal fechado de TV quando retornarem ao Brasil. Numa das tantas dobras da trilha, curtindo um rock transmitido por um aparelhinho de som, um casal, com ar cansado, sentado no chão, recupera as energias da íngreme subida. Em 2 horas e 50 minutos - poderia ter feito em menos tempos, mas paro toda hora pra fotografar e filmar – alcançamos o topo após 4 km de percurso. Ali, dezenas de jovens, felizes e orgulhosos de sua façanha, descansam após o cansativo ascenso. Mais uma caminhadinha de  1 hora e meia até Cabanaconde onde desaiunamos enquanto esperamos a van que nos levará de volta a Arequipa. Embora sempre seja servido o mesmo desaiuno - chá, geleia de morango, manteiga e pão – como com gosto, até porque é muito gostosa a singela refeição. Embarcamos na van onde já se encontra acomodado um bando de adolescentes franceses, todos magros e nada simpáticos. Em Maca, na rua principal, mulheres apregoam a sempre usual parafernália de produtos típicos: mantas, casacos, gorros e bonecas. Num poste, amarrados com um cordão, uma lhama e um gavião são alugados aos cliques fotográficos dos turistas em troca de alguns soles. Vejo uma sorridente Bliss com a ave pousada no ombro sendo fotografada por Fionnuala, hehehe. Quase caio na tentação de fazer o mesmo mas devido ao pouco tempo que o guia nos deu prefiro visitar a linda igreja pintada de cal, com o átrio murado! Curto demais fazer os 3 pedidos a que se tem direito quando se entra num templo pela primeira vez. Na rua ao lado da igreja, uma festa com banda e dançarinos usando máscaras de árabes está iniciando. Alguns homens fazem uma rodinha e se põem a dançar. Moças, exibindo lindos trajes típicos caprichosamente bordados, sentam-se à beira da calçada, bebendo refrigerante. Lamento não poder ficar porém a van já está quase partindo. Descemos rapidamente num mirador onde se avistam o nevado Quehuisha e, no vale abaixo, a vila de Madrigal. No fundão duma garganta, uma mina de prata abandonada. A próxima parada é Yanque onde curtimos deliciosas piscinas de águas termais. As melhores do trek, sem sombra de dúvida! Sem semelhança com as de Llhuar e Sangalle, são feitas de pedras, bem rudimentares. Relaxo feliz da vida nas cálidas águas. Em frente, dois vestiários feitos de carrizo com 2 chuveiros pra quem quiser tomar uma ducha, dessa feita usando sabonete. Rumamos então para Chivay onde almoçamos no mesmo restaurante onde desaiunamos há 5 dias atrás, quando o trek teve início. O bufê do Sumac Wasi oferece diversos pratos típicos e custa 25 soles. Sumpimpa a refeição, repeti 3 vezes!! Chego em Arequipa às 17 e 30. Cansada, saio e compro salteñas (prefiro às empanadas) mais uma tortinha de morango. Levo tudo pro hotel. Pego, então, um copo de chá na recepção e subo pro meu quarto. Muito a organizar já que daqui a 2 dias enfrento outro trek. E no maior vulcão da cordilheira Vulcânica, o Chachani, com 6.057 m. O objetivo é alcançar sua cumbre. Vamos ver no que dá! Qual não é minha surpresa quando abro o Face e dou de cara com o alegre convite de Vevê Mambrini, jornalista paulista, anunciando que está também em Arequipa. "Simbora tomar uma cerveja?" Pergunto onde ela se encontra mas fico sem resposta. Deve estar em algum lugar onde não há wirefire....que pena! Mas desencano rapidinho. Estou deveras cansada e minha pilha não ia durar muito. Melhor dormir e descansar pra amanhã estar 100% reenergizada! 

Um comentário:

Miriam Chaudon disse...

Esse "gostinho de quero mais" é recorrente, não é mesmo minha amiga? Geralmente voltamos desses lugares energizados e incrivelmente hipnotizados pelas belezas que vivenciamos.
Quando eu retorno das andanças nas montanhas fico a enxergá-las durante muito tempo ainda....
Fico impregnada de natureza!
Muito linda a sua viagem!