terça-feira, 3 de março de 2009

Adios Torres del Paine

Desperto num dos quartos do refúgio Grey, acomodada num dos seis beliches ali dispostos. Partilham o quarto mais dois casais. Um deles, com quem converso pela manhã, engenheiros canadenses, trabalham na Guiana Francesa. Jean Pierre e Ria, que vieram comer seu desjejum, despedem-se. Partem no barco das 10 pra Puerto Natales. Como o barco que me conduzirá até a hosteria lago Grey zarpa às 13 horas, sobra-me tempo pra vadiar. Aceito o mate oferecido pelos rapazes que trabalham no refúgio e depois saio pra comprar cigarros no armazém. Acendo um após seis dias sem fumar unzinho. Tenho como regra não pitar durante os trekkings. Dou uma banda pelo camping e fico conversando com Bia e outra guia que desarmam suas barracas. Volto pro refúgio, pois o céu nublado e a temperatura fria não são dos mais convidativos pra se quedar ao ar livre. Converso um pouco com outros turistas e assim transcorre o tempo até o momento de me dirigir ao cais. Embarco num bote tipo zodiac que nos leva até o catamarã. Um dos membros da tripulação serve pisco sour e whisky aos passageiros. Escolho o primeiro que beberico durante toda a travessia. Navega-se, inicialmente, pela margem leste do glaciar Grey. Após, o barco embica em direção à margem oeste, a maior das duas, onde as gretas, não tão agressivas quanto as da margem leste, permitem caminhadas com crampons e escalada em pequenos paredões de gelo (infelizmente, não me foi possível fazer esse passeio, devido ao número insuficiente de pessoas....droga, né?). O bom é que tenho a oportunidade de ver o glaciar de frente com suas duas margens, separadas pela ilha Nunatak. À medida que se navega, e nos aproximamos do embarcadouro da hosteria Lago Grey, avista-se, na margem leste do lago, o cordón Olguín, Paine Grande e os Cuernos, além dos cerros Espada, Hoja e Mascara. Uma lástima, o cenário ofuscado pelas nuvens que teimam em toldar o céu e os imponentes maciços rochosos. Mas enfim, na Patagônia, o clima é mais caprichoso que humor bipolar. A travessia até a hosteria dura quase duas horas. Quando lá chegamos, a van não se encontra no estacionamento. Passa-se uma hora e nada. Claro está que escondo meu descontentamento. Bia tenta falar pelo celular com a agência, não consegue, o sinal está fraco, entra na internete e, tampouco, consegue se comunicar com alguém da Chile Nativo. Eu, que a supunha tão organizada (contratara-a em 2007), começo a suspeitar da organização da agência. Pra piorar, minha relação com a guia, já meio frágil pelo ocorrido no camping Los Perros, mas que melhorara no decorrer do trekking, sofre novo baque....ai jesus cristinho! A criatura não admite nem que eu a questione, muito menos que eu manifeste meu aborrecimento.....dá pra acreditar?! Impaciente pra chegar a Natales, tenho de me resignar a uma espera de 4 horas, até que o veículo, finalmente, chega à hosteria. O motorista fez uma confusão com o horário de nossa chegada, motivo por que se atrasou. E eu, que podia ter chegado a Natales lá pelas 17 horas, deixo a hosteria, justo, a esta hora! O retorno se faz por uma nova rota, chamada Paine, via Cueva del Milodón, segundo, Gonzalo, o dono da Chile Nativo, “um sendero muy lindo”. De fato, é muito mais bonito que a via tradicional pelo cerro Castillo. Acontece que, como estamos deixando o parque, os cerros Paine Grande, Cuernos e Almirante Nieto só podem ser vistos se viro a cabeça, o que convenhamos é um tanto quanto incômodo. Uma pena! Melhor seria vir ao parque por aqui e retornar, então, por cerro Castillo. Mesmo assim, um belo panorama desfila aos meus olhos numa sucessão de lagos, lagunas e cerros, destacando-se o lago Toro, o maior da região, lago Porteño, laguna Sofia e cerro Benitez onde se aninha, em sua base, a Cueva del Milodón. Chegamos em Natales por volta das 20 horas. Despeço-me de Bia no hotel Florence Dixie, com um aperto de mão, louca pra me livrar dela. Largo minha mochila no quarto e vou até a loja de Rodrigo. Tudo às escuras. Procuro um lugar pra jantar e entro na pizzaria em frente à praça, na esquina da Eberhard com Arturo Pratt. Peço nhoque e uma taça de vinho. Estou faminta. Afinal, nada comera desde o café da manhã! Nem um almoço Bia me oferecera durante as malditas 4 horas de espera na hosteria Lago Grey, dá pra acreditar?! Passo de novo na loja de Rodrigo e lá o encontro. Narro-lhe, rapidamente, alguns dos acontecimentos, e ele se mostra revoltado com a atitude da guia. Combinamos de almoçar no dia seguinte. Desejo boa-noite pro meu amigo e seu filhinho Joaquim e tomo o rumo do hotel. Estou pregada. Meu corpo exige cama!
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