quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Uma barbada o Morro do Barbado

Bueno, às 8 e 15, após o café da manhã, encetamos uma subida constante pela estrada Real. Em certos sítios, largos degraus de pedras amareladas facilitam o acentuado ascenso. À esquerda, o paredão sul do morro do Barbado e à direita o do Elefante, cujo apelido assenta à perfeição! Nunca tinha visto tromba e orelhas de abano tão perfeitas, hehe! Atravessamos um trecho de mata, ensombrecido por densa vegetação, antes de alcançarmos o lugar conhecido como Forquilha da Serra, que como o nome indica trata-se dum vão entre os dois morros, por onde a estrada Real segue adiante. Mas nós dobramos numa trilha à esquerda. Um pouco de escalaminhada – ebaaa – cujo término – merdaaa – dá num pequeno vara-mato. Depois só alegria subindo um costão de largas lajes de pedra cuja aclividade suave termina no topo do Barbado....uma barbada, diga-se de passagem, a ascenção a este pico! Nas cercanias do cume, pobre em vegetação, destacam-se pequenos arbustos. De flores, interessantes mesmo, a xoxotinha de freira, maracujá de cobra cuja flor vermelha quebra a hegemônica brancura da outra espécie da fruta, um que outro ramalhete de begônias e, tremelicando ao vento, uma solitária orquídea oncidium. Já do topo, avisto nas bandas meridionais os picos do Itobira em sua faceta mais comum, a pontuda, assim como o das Almas, mais a sudoeste. A leste, o Morro do Elefante e um pouco mais adiante a serra do Cobre, bem como algumas elevações do Parque Nacional da Chapada Diamantina, que, entretanto, eu e Ed não conseguimos identificar. Um pequeno ajuntamento de casas no vale indica a presença de Catolés de Baixo, construída justamente aos pés da serra da Tromba. Embora seja o mais alto dos picos baianos, com seus 2.033 m, o Barbado foi o mais fácil de todos os três que subi! A pernada de 10 km até o cume não dura nem 3 horas. Quando chegamos na casa de seu Merquido, nos é oferecido um almoço com galinha, arroz e feijão. Com pena de partir, sem poder me despedir de Dª Maria, que fora a Catolés de Baixo comprar mantimentos na feira que se realiza, semanalmente, naquela localidade, eis ela e sua filha, carregadinhas de sacolas, descendo da carroceria dum caminhão. Após tirar várias fotos da família, que dócil e faceira, pousa pra mim, nos despedimos dessas pessoas encantadoras, deixando Catolés de Cima no meio da tarde. Durante o breve trajeto até Catolés de Baixo, impõe-se o tempo todo o imponente paredão oeste da serra da Tromba. Uma breve parada na vila, bem maior que Catolés de Cima, pra comprar esfihas no Ponto da Esfiha, cujo proprietário, seu Etelvino, também é o responsável pelos famosos quitutes árabes. Incrível como tem homem fazendo ranguinho nestas bandas da Chapada: Toinho dos Bolos, em Rio de Contas, seu Valdemar, no Quilombola da Barra com suas cocadas e agora o catolense! A serra da Tromba é um espetáculo! A extensa elevação arrasta-se por uns bons duns 5 km. Tanto que, em Ouro Verde, se avista sua estupenda muralha frontal, sucedida pelo paredão leste, coroado por sucessões de saliências que lembram a gigantesca cauda dum dinossauro. Após atravessarmos Ouro Verde, uma vila cujo único atrativo advém de estar situada aos pés da serra da Tromba, fazemos uma rápida parada em Abaíra onde compro uma garrafa da famosa cachaça de mesmo nome. Embora sede do município, a cidade é bem sem graça, com uma praça cujos atrativos são duas cafonas e gigantescas estátuas: uma garrafa de cachaça e um tonel de pinga. Já a próxima vila, João Correa, lembra Catolés de Baixo, com ruas arborizadas, igrejinha branca e azul e pessoas sentadas nas soleiras das portas. Discretamente charmosa. Ainda pertencente ao município de Abaíra, atravessamos uma biboca que faz jus ao nome, Brejo de Cima. Deixamos pra trás as subidas e descidas das estradas serranas e ingressamos numa estrada plana de terra avermelhada que corta os Campos Gerais até pegar asfalto que nos conduz a Mucugê. Nem paramos na encantadora cidade porque já são quase 9 da noite! Durante a longa viagem, o carro de Ed, uma Rural Willis 1968, motor Opala 1992, parou uma vez pra troca de botijão (simmm, o combustível não é GNV, não, e sim gás de botijão de 13 kg, hehe). No bagageiro do previdente Ed, afora 2 botijões de reserva, há um catatau de peças pra trocar caso ocorra alguma pane. O pachorrento guia não ultrapassa os 30 km/h quando roda no chão batido. Acelera um pouco mais no asfalto, não ultrapassando, porém, quase nunca os 60 km/h. Privilegia a segurança à velocidade, até porque se andar rápido demais o carro pifa, hehe. Conto isso pra explicar porque tendo a gente saído às 15 de Catolés de Cima, num percurso que não atinge 200 km, chegamos só às 21 e 45 em Igatu. Em chegando à encantadora vila, começa a peregrinação atrás de Dmitri, aquele que será meu guia a partir de amanhã, na travessia ao longo do rio Pati. Como o celular do jovem não atende, caindo sempre na caixa postal, tenho eu de ficar perguntando de casa em casa, como nos velhos tempos dantanho. Indaga dali, furunga acolá, descobrimos, finalmente, sua residência pero o guri deu uma saída. Deixo recado e nos tocamos, Ed e eu – estamos esfomeados - pruma pizaria cheia de estilo, situada na rua principal. Enquanto devoramos uma pizza super gostosa e bebericamos uma taça de vinho branco, eis que irrompe no recinto meu novo guia, uma figuraça de pessoa! Alto, magro e com cabelos até a cintura trançados em dread locks, gosto dele de cara! Carismático, fala abundantemente. Meu trekking no Pati promete....ebaaa!!

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