sábado, 24 de dezembro de 2011

Pico das Almas

Garoou a noite toda pelo visto porque quando acordo a chuvinha miúda segue caindo sobre a cidade. Tracei como objetivo nesta minha passagem pela Chapada Diamantina conhecer a paisagem vista dos cumes dos três maiores picos baianos: Barbado, Itobira e das Almas. A pedida do dia é subir ao topo deste último, cujo trajeto de carro da cidade até o início da trilha demora uns 40 minutos. Percorre-se, inicialmente, a mesma estrada de chão batido que vai dar na Comunidade de Mato Grosso, quebrando então à esquerda pra atravessar a comunidade de Brumadinho. Se não estivéssemos no tanque que é a Rural de Ed, teríamos ficado pelo meio do caminho, tão ruim, mas tão ruim é a tal estradinha após Brumadinho! Manhã nublada embora o solo florido de microliceas rosadas dê um tom alegre ao austero clima que nos rodeia. Talvez por isso, me sinto meio oprimida quando atravesso o Corredor das Almas, um brete formado naturalmente por um maciço de pedras que desemboca no vale do Queiroz. A pequena planície, delimitada entre duas enfiadas paralelas de serras, exibe um campo rupestre onde afloramentos rochosos desenham bizarras formas esparsas aqui e acolá. Um desbunde de lugar! Despontando ao norte, já se avista a forma arredondada do cume do Pico das Almas. Percorre-se, então, um pequeno segmento do que sobrou duma mata atlântica cujo término acaba numa clareira enclausurada por uma estupenda barreira de rochas que sinaliza a finalera do vale. A moleza de caminhar no plano termina e começam as subidas. Pra aquecer nada como um leve aclive sucedido por outro, este um pouco mais forte, tanto que exige uma breve escalaminhada. Adoro isso! Pra refrescar os músculos das pernas, um terreno plano onde florescem longilíneos pepalantos. Outra subida, dessa feita, percorrendo um terreno bem pedregoso até atingir um largo platô onde nos aguarda aquela surpresa: o belo Portal das Almas ou do Céu. Trata-se duma larga e alta abertura esculpida engenhosamente na rocha pela ação erosiva do vento e da chuva, formando um autêntico pórtico. Mais um aclive, dessa feita, bem cascudo, porque pra enfrentá-lo se atravessa um brete, mais estreito do que o primeiro, formado por altos paredões rochosos cujo terreno super irregular, demanda cautela na pisada. O corredor termina noutra clareira, surgindo, então, à frente uma imponente parede de 200 m de altura, conhecida como paredão das Almas cujo acesso leva ao cume do pico. Tremo nas bases. Entretanto, o que, aparentemente, se mostra inexpugnável, revela-se no decorrer da ascensão uma divertida e lúdica escalaminhada. A rocha, tipo conglomerado, super aderente, com boas agarras, é só alegria. Já próxima ao topo, deleito-me com um adorável jardim onde se destacam calhandras vermelhas, amarílis, orquídeas, bromélias e cáctus. Rescende no ar, o bom odor das macelas. Eita gostosura! Quando alcanço finalmente o cume do pico das Almas, nada mais que um diminuto platô, atravancado por pedras e arbustos de pequeno porte, sento, cansada, pero feliz da vida, no chão. Tiro da mochila o bolo de côco e arroz, presente de Toinho, e devoro, esfomeada, entre suspiros de prazer, a formidável merenda. Um passarinho cisca o chão sem timidez alguma em busca de restos de alimentos. Perfeitamente visíveis, Livramento, a comunidade de Mato Grosso e os picos do Itobira e do Barbado. Tomo banho no córrego do Queiroz, quando descemos do cume, um remanso de águas frescas e tranqüilas. Na metade da tarde, um vento forte leva embora o nuvaredo, permitindo assim que o sol enfim brilhe ao longo do restante da tarde. Embora cansativo, afinal foram 7 horas de pernada, a conquista da segunda maior elevação da Bahia com seus 1.980 m de altitude, foi mais fácil do que imaginara. À noite, Moi monta uma mesa na rua, em frente a sua casa e anuncia: “é pra tu!” Provo assim o famoso mingau de milho verde, um licor de jenipapo e duas variedades de pão: um salgado e um doce. Embora singela, adorei a ceia de Natal que Moi improvisou pra mim!
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Um comentário:

Ricc Silva disse...

Show de bola o teu blog, parabéns!
Estou indo ao Pico em novembro
queria algumas dicas... quanto custou o guia ? tem o número do mesmo ?