Saio
de Porto às 23 e 30 de quinta-feira, pernoitando em Torres, num hotel à beira
da BR 101. É minha primeira grande viagem dirigindo euzinha - sozinha - meu carro. Estou numa empolgação que mantém a adrenalina lá em cima...adoro tal sensação!! Na
sexta-feira, perocorro, com chuva, às vezes forte, todo o estado de Santa Catarina. Só estia o chuvaral quando
entro no Paraná. De São José dos Pinhais, uma espécie de
Canoas dos paranaenses,
à casa de Fatima, em Curitiba, levo 2 horas – isso mesmo - 2 horas porque o
trânsito neste horário – 18 horas – é de fuder de muvucado!! Afora isso, o GPS mais me confunde que
ajuda...uma merda!! Telefono pra Pece
quando estou quase chegando e combinamos de ele me buscar na casa de Fatima pra
jantarmos juntos. Vamos então, eu, Pece e Fernanda, sua namorada, ao Pamphylia,
tradicional restaurante curitibano situado no Batel. Retorno a casa de Fatima
e já a encontro em casa. Comemoramos o reencontro bebendo 3 garrafas de vinho
(e eu já partilhara, no restaurante, uma garrafa com o casal de amigos!). Dia seguinte, acordo me
sentindo um pouco ressaqueada, o que não me impede de pedalar com Fatima e
Jamila até o mercado municipal onde almoçamos. Como pouco porque já começo a sentir certo mal estar que vai se agravando mais e mais ao ponto de eu ir 3 vezes ao
banheiro pra vomitar tão mal me sinto. Quando começo a pedalar me sinto melhor,
mas a chuva reinicia (havia caído um pancadão durante o almoço), o que nos
obriga a voltar pra casa. E o mal-estar volta com força total quando me deito
no sofá pra assistir a um filme com Jamila enquanto Fatima estuda pra 2ª fase
da prova da OAB. Mais uma vez – a 4ª! – volto a vomitar, dessa vez pra pôr pra
fora os últimos vestígios do almoço. Só consigo me recuperar lá pelas 23
horas....que horror!! Nunca mais quero beber tanto...saravá! Domingo, Curitiba continua debaixo do mal tempo.
Chove a beça. Aproveito uma brecha no chuvaral e pego a estrada novamente.
Fatima, uma fofa, me guia até a Regis Bittencourt. E a chuva volta a apertar. A
rodovia, na saída de Curitiba, em péssimas condições de trafegabilidade, exibe
buracos e desníveis que formam lâminas de água perigosíssimas. Não dá outra:
quase aquaplano o carro. Por sorte, sempre aciono o 4x4 da camionete quando o
tempo está chuvoso. O que me salva duma derrapagem talvez fatal. O carro valsa
um pouco, mas segura legal o tranco, apesar do tanto de água sob
os pneus. Se
eu tivesse perdido o controle, teria chocado com o caminhão que estava
ultrapassando. E não estaria aqui contando a viagem. A chuva não dá trégua, cai
água de balde do céu. Vejo 2 carros capotados. Um deles está tão detonado que
não deve ter sobrado ninguém vivo. Quando mais tarde paro pra comer algo, um
caminhoneiro com quem converso enquanto bebo um café, conta que o casal do tal
carro capotado escapou na boa do acidente. Deus do céu, muita imprudência nas
estradas, demais!! Tem motora que não diminui a velocidade mesmo que chova
canivete. O trecho da Regis Bittencourt, localizado na belíssima serra do
Cafezal, além de perigosíssimo porque cheio de curvas e buracos tem só uma
pista. O trânsito se torna lentíssimo então. O que poderia ser feito
prudentemente em 1 hora demora 2!!! E a chuva continua implacavelmente.
Estou um tantinho ansiosa com a passagem pelo rodoanel Mario Covas, elo viário
entre a Regis
Bittencourt e a Bandeirantes. Contudo, me saio muito bem (até
dispenso o GPS) porque as saídas são muito bem sinalizadas. Chego a Campinas em
torno das 19 e 30, após 8 horas de viagem. Minha lombar doi, não só de ter
ficado sentada tanto tempo quanto da tensão em dirigir. No trecho final, já na rodovia
Dom Pedro I, Patricia, a quem contato pelo celular, é quem me serve de GPS,
muito mais confiável que esta moderna bússola. Curto demais a casa dessa minha
querida prima-irmã, onde me sinto quase tão à vontade quanto na minha. Exceto
na segunda à tardinha, quando corro na Unicamp, os dois dias em que permaneço
em Campinas, faço da sala da TV meu quarto. Bem baixada no confortável sofazão,
assisto, numa maratona frenética, a 4ª e 5ª temporadas do badaladíssimo seriado
Breaking Bad. Ah, e o que são os deliciosos almocinhos preparados por Patricia?
No almoço,
apenas carnes e saladas. Carboidratos são reservados para o
lanchinho da noite, hehehe!!! Na quarta-feira, infelizmente, tanta mordomia tem
um fim. Preciso partir pra Passa4. Minha prima me conduz até a D. Pedro. Os 132
km rodados nesta excelente rodovia são um prazer. Um baita sol ilumina com
vigor a manhã. Ainda bem, porque desde sexta-feira só o cinza tem dado pinta no
céu. Me confundo um pouco - tudo culpa dessa merda de GPS!! – pra pegar a Dutra.
Graças aos nativos e às placas chego em Passa4, mais exatamente à pousada
Harpia onde vou me hospedar durante minha estadia aqui. Willian, o príncipe das
Terras Altas da Mantiqueira, um dos guias da agência Harpia, me recebe com
aquela mineiríssima afabilidade. Pouca demora, prepara café preto no fogão a
lenha instalado na espaçosa cozinha do casarão. O vento forte me faz desistir de
dar uma corridinha. Fico então de prosa com Will e Josi. À noite, enquanto
degusto uma cachacinha – de lamber os beiços tão boa é - envelhecida em barril
de umburana, indago de Rodolfo detalhes da travessia que me motivou a vir de
tão longe.
Grata surpresa me reservam esses dois guris!! A pernada na serra do
Papagaio, comumente feita no sentido leste-oeste ou vice-versa, será no sentido
norte-sul, trilhando lugares pouquíssimos frequentados....ebaaa!!!! Acordo na
quinta e o vento continua bufando forte, tanto que a vegetação não pára de
dançar. E o que é esse frio? Até parece o Rio Grande do Sul esta terra, uai!!
Um belo café da manhã me espera na cozinha. Dou um rolê de 22 km
pedalando minha magrelinha verde-amarela (trouxe ela no suporte traseiro do carro, sim senhor!!) ao longo da
antiga ferrovia da Mantiqueira com Willian. Após, almocinho de comida super caseira
na Dª Filhinha, seguido dum café na única chocolateria da cidade, repleta de guloseimas. Zé Natureza
chega à tardinha. Muitos papos na cozinha e a adrenalina correndo nas veias na
expectativa da indiada que nos aguarda amanhã. Trilha do Segredo, olha eu
chegando........ebaaaa!!!






2 comentários:
Ai minha amiga querida...que susto! Mas que bom que deu tudo certo, né? Sua danada da breca! Adoras uma aventura! Beijo.
Mto bacana suas aventuras. ESpero tbém fazer igual, quem sabe um dia. Me falta preparo físico (leia-se alguns quilinhos a menos) e sua garra. Vontade não falta, heheheee !!!! Já fiz algumas caminhadas há séculos atrás, digamos um pouco depois q Cabral aportou aqui.Curti esta 1ª parte lá no Facebook e já tinha lido algumas aventuras suas no blog Alta Montanha. Não deixe nunca de escrever, mesmo não comentando, tem muita gente anônima te acompanhando e se deliciando com suas tiradas engraçadas e seu modo bem bacana de escrever.
Bjos !!!
Isabel Maria
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