domingo, 16 de agosto de 2026

Trilhas e Balneários em Palmas, Lajeado e Miracema

Rumo ao norte do Tocantins, a caminho de Lajeado, distante 50 km de Palmas, pego a TO 010, que segue paralela ao rio Tocantins, o que proporciona um cenário vistoso ao longo de quase todo o trajeto. Com dezenas de sítios particulares à beira d'água, alguns são abertos ao público como o Casca Grossa, do lado esquerdo da rodovia, pertinho de Lajeado, cujos donos são o amável casal de gaúchos que fabrica cerveja artesanal. O município conta tão-somente com quase 4 mil almas e sua importância turística, mal divulgada pelas autoridades competentes, apresenta inúmeros atrativos como praias de águas doces, cachoeiras nas encostas da serra do Lajeado e sítios arqueológicos de Canuto e Caititu, que abrigam paredões com pinturas rupestres. Morros como o do Segredo, do Leão e do Luau têm trilhas que conduzem ao seus topos donde se pode admirar vistas panorâmicas da região. Foi em Lajeado que construíram a barragem da usina hidroelétrica de Luís Eduardo Magalhães, transformando mais duma centena de quilômetros do curso do rio Tocantins em lago, começando em Ipueiras, passando por Brejinho de Nazaré, Porto Nacional, Palmas e terminando em Lajeado. Tal usina promoveu a independência energética do Tocantins e transformou o estado de importador a exportador de energia elétrica. Dentre os locais de lazer, um imperdível, não só porque entrada e estacionamento são gratuitos, é a praia do Segredo. Com uma estrutura que oferece quiosques, restaurantes, banheiros públicos, duchas e um píer de madeira, além de águas calmas e cristalinas, tem como cenário de fundo o imponente Morro do Segredo e as serras adjacentes. A cidade, em si, é agradável, tem alguns prédios antigos bem conservados como a Casa da Memória de Lajeado. O casarão de aspecto colonial, pintado de amarelo vibrante com aberturas brancas, abriga o passado histórico lajeadense. Vale uma visita à cachoeira Viva a Vida ainda no perímetro urbano. Atravessando a ponte dos Imigrantes que une margem direita à esquerda do Tocantins, distante 10 km de Lajeado, há dois outros balneários, Paredão e Funil, situados, porém, em Miracema, município vizinho à Lajeado. Paredão é sui generis: sua faixa de areia embora pequena é circundada por paredões com 30 metros de altura, tanto que se desce até a praia por uma longa escadaria de madeira. As bebidas e a comida - deliciosamente caseira - feita no restaurante, situado lá em cima, são levadas até embaixo por um engenhoso sistema de roldanas que impulsiona uma gaiolinha onde são colocadas. Há barracas, mesas e cadeiras para se alugar. Também há acomodações para se passar a noite. Barquinhos, cujo preço varia conforme o trajeto, fazem passeios ao longo do rio. Já no Funil as acomodações são mais confortáveis pois suas cabanas, bem menos rústicas, imitam chalezinhos em formato triangular. O restaurante oferece café da manhã, almoço e janta com inúmeras opões de comidas. Na temporada de verão - julho - há shows em que se apresentam bandas e artistas não só locais como de outros estados. Nos quiosques à beira d'água, vendem-se bebidas e tira-gostos. As águas claras e mornas do Tocantins exigem cuidado especial: a presença de arraias cujo pranchaço de suas caudas causa ferimentos bem profundos aos desavisados. Não à toa, há um movimento no jogo da capoeira chamado "rabo de arraia". Claro que a região, no entorno de Lajeado, não se limita apenas aos atrativos catalogados como oficiais, alguns sem necessidade de guias, outros, entretanto, exigindo a companhia de condutores credenciados pelo município. Portanto, Lajeado oferece tesouros secretos no seu interiorzão como sítios donde partem trilhas que descortinam a admirável paisagem das colinas que compõem as serras do Lajeado, como as da Fenda e do Vale do Sol, guiadas pelo tagarela guia Ezequiel. Já na trilha do córrego do Facão, cujo guia foi Natan, se passa por trechos bem perrenguentos, exigindo alguns o auxílio de corda pois é bem íngreme, tudo para se ver 3 cachus...afinal, vale a pena quando a alma não é pequena!! O que pensaria Fernando Pessoa sobre sua frase ser usada daqui e dacolá hein?! Outra pernada legal é a das cachoeiras Manaim, Tronco e Valadares, guiada pelo Alexandre, que faz parte de um dos muitos grupos de trekkers de Palmas. A do Tronco em minha opinião é a mais linda porque antecede à sua queda um apertado brete exibindo densa vegetação. Contudo, há controvérsia, porque muitos preferem a Valadares, talvez pela altura já que é mais alta que a do Tronco. Não muito longe de Palmas, na estrada que conduz à Aparecida do Rio Negro, há um sítio administrado por uma figuraça, de apelido Zé Japão, que leva a gente pelo Circuito das Águas, caminhando por trilhas que atravessam grutas, uma impropriamente chamada de Caverna, onde figuras rupestres bem conservadas dão uma ideia do cotidiano daquele pessoal que viveu há mais de 10 mil anos, os nossos antepassados, conhecidos como homens das cavernas. Mais adiante, o rio Macacão escava outra cachoeira, a da Capitu, desaguando suas águas no poção onde nos banhamos pra nos refrescar da árdua pernada. Na estância Garra, há as cachoeiras do Mirante, das Raízes, assim chamadas porque inúmeras raízes formam como uma cortina diante da queda d'água, seguida das 3 Quedas e Pau Ferro, terminando o passeio na pista donde saem os parapentes que sobrevoam a região. A trilha da Tartaruga, nos arredores de Palmas, pertencente ao Parque Estadual do Lajeado, foi guiada por Queiroz, experiente trekker, que dedica seus fins de semana a conduzir grupos de amigos e conhecidos pelas trilhas da região, juntamente com Alexandre e Luciano, este infelizmente, já falecido. A trilha é bem exigente, tem que ser feita bem cedinho porque o sol pega demais se se sai tarde, queima como se você estivesse dentro duma fornalha tamanha a sensação de quentura envolvendo o corpo. Aliás, Palmas em certos dias, é a própria antecâmara do inferno hahaha. Ademais, a trilha, bem íngreme, já te faz suar mesmo que calor não houvesse! Como esquecer a cachoeira dos Degraus, das Três Quedas, cada uma mais linda que a outra. E atravessando a ponte FHC, eis a lagoa Azul, escondidinha nos arredores de Luzimangues. Este point é para poucos, quem quiser conhecê-lo que vá atrás das infos. Eu já nem lembro direito como chegar lá, assim, infelizmente, não posso ajudá-lo, caro leitor!

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