domingo, 4 de janeiro de 2009

2009 de ressaca!

O novo ano inicia chuvoso, e põe chuva nisso! Generosos milímetros dum caudal ininterrupto desabam ao longo de toda a sexta, sem dó nem piedade: madrugada, manhã, tarde e noite. Uma desolação! No sábado, idem, exceto uma breve estiagem, ao final da tarde. Aproveito e vou ao mercado Magagnin comprar cigarros e esticar as pernas. Na finalera da serra do Faxinal, escuto marteladas: é Kaloca trabalhando na sua já quase pronta cabana de madeira, futura sede de sua operadora de turismo de aventura. Construiu-a praticamente sozinho. Passo batida, deixando pra levar um dedo de prosa com ele quando retornar. A dona do supermercado, minha xará, lamenta as chuvas que castigam a região sul, em especial o norte do estado catarinense. Despeço-me e uma garoa inicia a cair enquanto me dirijo à casa de Kaloca. Compenetrado, o rapaz prega tábuas para forrar o assoalho. Está de poucas falas, porém. Diante disso, não alongo muito a visita e me mando. Deve estar contrariado com o clima que o impede de trabalhar com os turistas. A chuva, que saco! engrossou enquanto subo a serra em direção à pousada. Embora molhada que nem pinto chego na Colina da Serra bem contente com a oportunidade de ter me exercitado um pouco. Não agüentava mais aqueles dois dias de inatividade total. Não me restaram senão alternativas sedentárias: ler, ver tv, jogar um game que adoro no celular e bate-papos com os outros hóspedes. Sem falar na tagarelice à-toa com Mariazinha. E dê-lhe comida! E põe fartura nisso! Domingo amanhece chovendo e assim a maioria dos hóspedes se manda, exceto Iara, Rocha, Gabriel e Camile. No meio da manhã, a chuva pára, e decidimos caminhar até o bar Malacara. E lá vamos nós, Camile, Gabriel e eu. Pegamos a estrada geral da Vila Rosa, e vou mostrando a eles dois canions que se avistam à esquerda da estrada: o Índios Coroados e o Molha Côco. Mais adiante o imponente Malacara mostra, em seu paredão norte, várias cachoeiras, resultado das chuvas que castigaram a região durante os últimos quatro dias. Paramos no bar, e cumprimento efusivamente meu amigo Toninho e Eni, sua mulher. Como sempre, a jogatina na mesa de sinuca corre solta. Toninho, pra minha surpresa, está sóbrio, sua boa disposição mantém-se, contudo, inalterada, apenas um pouco menos exuberante. Gabriel e Camile deitam-se no gramado após comer os sandubas que haviam trazido. Eu fico jogando conversa fora com meus amigos. Descendo o rio Malacara, passam, navegando em bóias, o dono do Pedra Afiada, Jean Pierre, mais 4 guias da pousada. Feitas as despedidas de praxe, partimos. Decido retornar por um caminho diferente, e enveredamos por uma estradinha perpendicular à da Vila Rosa. Após ultrapassar uma ponte de arame tinindo de nova sobre o rio Malacara, dobro à direita, e eis-me na estrada geral de Alvorada, paralela à da Vila Rosa. Seguimos sempre reto. A estrada é muito linda, tranqüila, sem o movimento de carros e de motoqueiros exibidos, acelerando suas motos. A visão dos cânions é muito mais legal daqui. O rio Malacara continua seu trajeto em direção ao Mampituba. Vez por outra, o céu deixa entrever uma nesga de azul. Se o tempo melhorar, não partirei amanhã com meus amiguinhos pra Porto. Torço por isso! Ao chegar à cidade, me perco um pouco, nunca percorrera aquela estrada antes. As cabana azuis da Colina da Serra, apontando no cocuruto da serra do Faxinal, são meu ponto de referência, bem como as duas torres da igreja matriz. Quando estamos chegando na pracinha, em frente ao supermercado Magagnin, escuto uma buzina: são Mariazinha e Mariana vindas da pousada. Convidam-nos pra subir no carro e ir com elas até a sua casa. Gabriel e Camile preferem continuar caminhando; já eu aceito e me junto às duas. Maria traz o lixaredo acumulado durante o feriadão porque o caminhão de lixo não vai até a pousada recolhê-lo. Terminada as tarefas na cidade, regressamos. A noite desce suave e já dá pra perceber róseas nuvens dispersas aqui e acolá no céu. Uma promessa de bom tempo. Coisa boa, assim posso permanecer aqui até quarta-feira....oba!!!
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