segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Pedal das Termas

Com meu niver se aproximando, resolvo comemorá-lo numa das atividades que mais curto: cicloturismo. Pra tanto contrato a Gramado Bike Trip que oferece um pedal de 3 dias na região noroeste do RS, chamada pelos locais Alto Uruguai, cuja cereja do bolo são águas termais. Ficaremos hospedados no balneário de Marcelino Ramos com incursões às cidades de Machadinho e Piratuba, esta fincada no sudoeste catarinense. No final da manhã, me toco pra Novo Hamburgo onde deixo meu carro e sigo no de Nadir que consome menos gasolina. Escolhemos ir pela RS 122, seguindo pela BR 470 até Lagoa Vermelha pra então pegarmos a RS 126, cruzando, assim, as cidades de Sananduva, São João da Urtiga e Maximiliano de Almeida, quando, à noitinha, alcançamos nosso destino final, o balneário de Marcelino Ramos. Cansadas dos 350 km e das 8 horas de viagem, deitamos logo após a janta porque dia seguinte o pedal será longo. Quando acordamos, no sábado, o sol brilha no céu, prenunciando um dia tudo de bom. Contudo, ao deixarmos o hotel às 9 horas, o céu nubla total e um ventinho insolente começa a soprar. Diante da temperatura fresca visto camiseta de manga comprida e jaqueta corta-vento. O pequeno balneário localiza-se à margem esquerda do rio Pelotas. Este rio juntamente com o Peixe forma o rio Uruguai, 4 km adiante, donde também se encontra a cidade. O plano é pedalar até Machadinho a fim de nos encontrarmos com a galera de Gramado e lá almoçarmos juntos. Dessa feita, rodamos pela RS 126 no sentido inverso, em direção a Maximiliano de Almeida. Ladeada de espessa mata atlântica, uma delícia pedalar na estradinha de chão batido cujo estado de conservação, razoavelmente bom, apresenta subidas e descidas inofensivas. Como estamos em plena primavera, nas casas, construídas às margens da estrada, destacam-se, além dos jardins exibindo profusão de roseiras e outras flores, o dourado dos trigais maduros ao lado do verde-escuro das plantações de milho que enchem de admiração meu olhar. Bichos cabeludos pendem dos galhos das árvores presos a finíssimos fios, pendulando pra lá e pra cá num rapel rumo ao chão, o que nos obriga algumas vezes a desviar deles. Nadir, medrosa, berra a cada vez que se depara com os cabeludos insetos. Paramos por uma boa ½ hora na propriedade dum casal simpaticíssimo. De meia idade, com filhos criados, por isso carente de conversê, se a gente estendesse a permanência mais um pouco, com certeza, teríamos sido convidados pra almoçar. Porém urge chegar a Machadinho por volta das 14 horas, horário previsto da chegada do pessoal. Ao passarmos rapidamente por Maximiliano, cidadezinha desinteressante que não demanda maior atenção, o acinzentado céu, aleluia, já cedeu lugar à festiva coloração azulada onde brilha, enérgico, o sol. Pegamos o rumo da RS 208, cujos 18 km de asfalto em contínua ascensão torna bem cansativo o soca-bota. Afora isso, porque a rodovia não tem acostamento, o pedal faz-se tenso pois a maioria dos carros tá nem aí pros ciclistas, alguns deles tirando finórios sem dó nem piedade de nós. Antes das 15, já estamos reunidas ao grupo, 4 deles meus conhecidos quando fiz, ano passado, o pedal na região de Pinhal da Serra, também organizado pela competente Gramado Bike Trip. Assim, um prazer reencontrar o casal Quica e Ederson mais Arthur e Sid. Fazem parte ainda da galera Luciano, o casal Catiane e André Grande, além de André Pequeno e sua família: mulher, 2 guris e sogra. Voltamos de Kombi até Maximiliano, de modo a evitar pedalar na perigosa RS 208 onde, então, montamos nas queridas e pedalamos ao longo dos 28 km da encantadora RS 126, retornando a Marcelino, à tardinha. Tendo pedalado 74 km, nada melhor que mergulhar na piscina de águas calientes, construída no último piso do hotel, e encantar os olhos com o cenário das verdes colinas catarinenses situadas no lado de lá do rio Pelotas. No domingo, a pegada ciclística é leve, não ultrapassando modestos 15 km. Na ensolarada manhã, rumamos até a cidade de Marcelino Ramos, fincada no sopé duma verdejante colina. Pedalamos ao longo da bem cuidada avenida Beira Rio que acompanha o Pelotas até a entrada da sede do município, descendo uma ladeira íngreme até a margem do rio onde em 1903 foi construída a ponte rodoferroviária. A colossal estrutura de ferro permite assim a ligação entre RS e SC. Terminamos o rolê subindo até o mirante, situado no topo da colina, donde descortinamos ampla visão dos rios Pelotas e Uruguai e da verdejante paisagem além rio. Após o almoço, dedico-me à amena leitura do livro A Garota no Gelo, policial ambientado em Londres. Entretanto, não resisto ao sono e entrego-me aos braços carinhosos de Morfeu, desfrutando duma boa soneca. À tardinha, aproveitando a temperatura bem mais amena, aproveito e corro 7 km na calçada ao longo da avenida Beira Rio. Terminada a janta, o baile tem início, animado por um cantor que começa os trabalhos com música regional gauchesca. Quica e Ederson não se fazem de rogados e são os primeiros a estrear na pista de dança, bailando que dá gosto de assistir. Eu e Nadir ficamos só curtindo o dancerê. Enquanto lá permanecemos ninguém nos tira pra dançar, pode? Tsk tsk, tsk. Na segunda-feira, última dia de pedal, a pegada é atravessar a ponte, ingressar em solo catarinense, pedalando 24 km ao longo da SC 135, pra conhecer Piratuba e suas termas. Já de cara, há que se enfrentar a curta porém empenadíssima lomba. Porém o perrengue mal começou. A sucessão de subidas, embora não se revelem nem de longe tão ásperas quanto a primeira, se mostram intermináveis durante loooongos 9 km. As descidas, pra tristeza da turma, são   raras. O dia está magnífico: céu azulão, sem nuvens embaçando o sol, motivo por que a temperatura à medida que a manhã avança mais alta se torna. Quase nenhuma sombra à beira da estrada visto que o relevo de colinas alongadas e vegetação de floresta de araucárias é distinto daquele entre Marcelino a Maximiliano em que prepondera a refrescante sombra da mata atlântica. A paisagem compensa todo o ardido esforço da contínua ascensão. Após 12 km calcando a bota em chão batido, ingressamos no trecho asfaltado da SC 135, alguns trechos, contudo, estão super esburacados e outros sem pavimentação, retirada, exatamente, devido ao péssimo estado de conservação da via. A partir desse trecho, as subidas amenizam-se e agradável surpresa nos espera no trecho final do pedal: 4 km só de descida até Piratuba embalada em veloz pedalada. O parque de águas termais localiza-se no centro da cidade. Maior que o de Marcelino e Machadinho, conta com um complexo aberto e outro fechado, este com piscinas individuais para banhos terapêuticos já que a água tem propriedades sulfurosas. Damos uma banda pela cidade inteiramente voltada ao turismo com farta rede hoteleira. Nas lojas, os manequins enfeitados de papai e mamãe noel indicam a proximidade da super festa cristã. Porque hoje é meu niver – 64 aninhos uhuuu – ofereço, no almoço, espumante aos parceiros. Como a turma de Gramado tinha tomado aquele tragoléu ontem à noite - todos estão meios sequelados - o vinho não é devidamente apreciado por eles. Voltamos a Piratuba no meio da tarde, eu e Nadir, de táxi porque desistimos de retornar a Marcelino pedalando. E não nos arrependemos porque o trajeto é tão difícil quanto o da ida. À noite, pra fechar com chave de ouro tanto o pedal quanto meu niver, beberico, no terraço do hotel, outro espumante, dessa feita solita, sem compartilhar com ninguém, enquanto curto a super lua cujo reflexo prateado ilumina as águas quietas do rio Pelotas! E que venham outros nivers como este, conhecendo novos lugares com belas paisagens, desfrutando de agradáveis companhias e degustando boas comidas e muiiitoos vinhos!!

Um comentário:

Miriam Chaudon disse...

Maravilhosa escolha para comemorar o niver! Lindas paisagens!